Rio de Janeiro
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Neste volume estão reunidos textos que questionam a trajetória histórica das sociedades latino-americanas a partir da fase de maturação do projeto colonizador até o período de consolidação dos estados nacionais. A obra contém trabalhos que lançam nova luz à documentação histórica e à história econômica, social e política dos povos latino-americanos. Além disso, há novas abordagens de investigação que ressaltam o enfoque interdisciplinar, tais como história da cultura, história da mulher, história da cultura material e eco-história.
AZEVEDO, Francisca L. Nogueira deRaimundo, com ajuda de Arnaldo, tenta descobrir quais são os padrões de grafismo reproduzidos nas peças de miçanga. A referência de grafismos para os Kulina são sempre a pele dos animais. Sobretudo a jibóia. Dentre as peças que aparecem nesta foto, eles identificaram a padrões da jibóia, de outras cobras, da água e do mato, bem como da arraia e outros animais(foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo adlea Zezé. Sowiko bananí wanalí ralo. Ranoní karílí zaní).
George MagaraiaRaimundo Kulina pega e observa cerâmica que parece uma bacia ou cesto (hepiri). Arnaldo, atrás observa.
George MagaraiaRaimundo sopra o hohori, o fazendo vibrar, emitindo o som da buzina (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo sapel sowiko bananí karíralí roroliza. rolíroli narali raimodo).
George MagaraiaRaimundo Kulina tenta identificar, a pedido da equipe de museologia, os padrões das peças kulina de miçanga no acervo do Museu do Índio (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo adlea vabiana. Sowiko bananí wanalíraralo mezaza).
George MagaraiaZipa bedeni: Raimundo explica que o zipa bedeni, uma espécie de pequeno prato de cerâmica, seria utilizado para o consumo de líquidos, em especial as bebidas de banana e macaxeira servidas nos grandes vasos de cerâmica. Servia também para beber água dos vasos. Como toda cerâmica, é produzido pelas mulheres.
George MagaraiaRaimundo Kulina mostra para a equipe de museologia como as mulheres e homens carregam o cesto paneiriforme tsahe ou topi (descrição feita pelos pesquisadores indígenas: Raimundo panelo rolei rizaralí).
George MagaraiaRaimundo Kulina experimenta uma das bandoleiras ashaninka. Elas chegam quase ao sua canela.
Coletivo KulinaAs bolsas, chamadas pelos Kulina Mochira, são produzidas com uma espécie de tear manual. Elas são desenhadas com diversos motivos. Elas podem ser tecidas com fios de algodão colorido comprado na cidade ou com fios de algodão colorido desfiado de peças velhas compradas na cidade, como velhas redes. Mas ela pode também ser tecida com algodão plantado, colhido e fiado pelas mulheres kulina. Neste caso, os fios podem ser coloridos através de diversas técnicas. Um exemplo é o uso da casca de uma árvore, chamada pelos kulina awano, aguano em português. Mistura-se a casca da árvore na água, que fica com uma coloração marrom. Emerge-se o fio do algodão na água e deixa por um tempo, fervendo. Depois ele fica com a cor marrom e pode ser trançado na peça confeccionada através do tear. Outra técnica utiilzada é a pintura do fio com uma folha chamada pelos Kulina ‘amaidada’, com coloração violeta (não foi possível descobrir o nome da planta em português). Pinturas a base de argila também são utilizadas, bem como outras técnicas. Os tecidos de algodão são feitos sempre pelas mulheres e as bolsas são utilizadas para carregar objetos, documentos, papéis, dentre outras coisas (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo sapel sowiko. Banani Karina rali).
George MagaraiaAdas: Raimundo mostra como os adas, adornos de braço, são vestidos. As peças de algodão são confeccionadas pelas mulheres e este adereço é utilizado sobretudo pelos homens em momentos festivos. Esta peça é colocada no antebraço e depois os fios de algodão que escapam da braçadeira são enrolados sobre o peito e as costas. Esta peça foi confeccionada por Kuma´a, da aldeia Ipiranga Velha, na Terra Indígena Alto Purus, AC.
George MagaraiaRaimundo experimenta uma flauta do tipo pan. Os Kulina comentam que eles sabem fabricar tradicionalmente uma flauta deste tipo. Trata-se de uma flauta que vem acoplada a um instrumento musical chamado Teteko, muito utilizado nas festas de Koiza ou outros tipos de Ahie´e. O Teteko é um casco de jabuti que serve como um tipo de reco-reco, mas que o tocador acompanha assoprando uma flauta tipo pan com dois, três ou quatro tubos.
George MagaraiaRaimundo Kulina colocando o cocar em sua cabeça. Outros cocares (tezeme) nas estantes da reserva técnica do Museu do Índio. As penas do cocar são de araras. (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo tezeme tatikaí ttalínaralí. Tezeme wanalí rali.
George MagaraiaTsiki/cerâmicas: Raimundo Kulina e os pesquisadores indígenas tomam conhecimento da coleção de cerâmicas kulina recentemente adquiridas pelo Museu do Índio em suas aldeias. Eles explicam que são as mulheres as especialistas em cerâmica. Atualmente, as mulheres kulina raramente produzem peças de cerâmica, tendo substituído os utensílios aneriormente fabricado por elas por utensílios industrializados comprados na cidade ou dos barcos mercadores. Eles explicam que antigamente, faziam vasos de cerâmica grandes chamados hohori (imeni) serviam para guardar água ou outros líquidos. Vasos com outro formato, chamados de zipa, eram utilzados no passado como panelas para cozinhar os alimentos, em especial a banana, a macaxeira e as carnes. Os Kulina observaram que no acervo recentemente adquirido pelo Museu do Índio só constam hohori médios e pequenos e um zipa, prato, pequeno. (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo roroli wanaliniza. Kidetorara.raimodo sapel sowiko bananí).
George MagaraiaRaimundo Kulina e Arnaldo Filho Kulina observando e escolhendo arcos e flechas de outros povos indígenas na reserva técnica do Museu do Índio. Raimodo Arnaldo. Boba ssissi kide tokerelaralí
George MagaraiaOs indígenas explicam que o keruri bedeni é utilizado para guardar ‘bombom’, que é o modo como os amazônicos em geral chamam às balas de chupar. O keruri é feito com uma espécie de capim amazônico chamado em língua kulina também de ‘keruri’. Ele é confeccionado pelas mulheres e apresenta muita delicadeza e em geral é adornado com padrões diversos.
George MagaraiaOs indígenas explicaram que o keruri é um cesto utilizado como uma espécie de bolsa ou refratários para guardar pequenas coisas. O keruri é feito de uma espécie de capim amazônico com uma técnica que dá uma flexibilidade tornando possível confeccioná-lo em diversos formatos. O formato mais comum é bastante semelhante ao hohori (um vaso médio e pequeno de cerâmica). Ele é confeccionado unicamente pelas mulheres e a técnica de confecção é muito delicada, entrelaçando os feixes de capim, construindo os formatos desejados. É também bastante frágil, podendo se deformar facilmente. É utilizado como toucador, para guardar pequenos objetos pessoais ou como bolsa para carregar estes mesmos objetos. Em geral é pintado através de diferentes técnicas de pinturas e com desenhos que dão maior definição a seu formato. O exemplar acima é pintado através de uma técnica muito comum entre os Kulina, a base de uma tinta conhecida como ‘amaidada’ em língua kulina, tirada de um arbusto encontrado na mata bem perto das aldeias e que dá uma coloração roxa ou violeta (exatamente igual ao violeta gensiana).
George MagaraiaRaimundo, de Buaçu, carrega pendurado na testa o tsahe cheio de produtos do roçado (banana e macaxeira). A sua frente vem sua esposa, Terezinha, com o terçado e pedaços de cana colhidas.
Coletivo KulinaEm 1988 a Abolição da Escravatura completou um século. No entanto, até hoje, a questão racial não foi resolvida. A idéia de que não há preconceito não convence nem aos brancos. O preconceito existe, é arraigado, e é criado e recriado no interior das mais diversas desigualdades sociais. Aqui. Octavio Ianni reúne escritos seus de várias épocas, (de (1955-1984) que se referem tanto à sociedade brasileira como um todo quanto a determinadas situações, cidades e regiões. Discute a questão étnica e afirma que a democracia racial só será alcançada quando negros, mulatos, índios, imigrantes, todo o povo brasileiro, tiverem conquistado uma democracia política e social. Será a verdadeira abolição
IANNI, OctavioO trabalho de conclusão de curso em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) aborda como o Estado brasileiro por meio de políticas públicas está implementando diretrizes de preservação e memória de línguas indígenas ameaçadas de extinção no âmbito do Projeto de Documentação de Línguas Indígenas (PRODClin) realizado pelo Museu do Índio em parceria com a UNESCO
Mello, Rodrigo Piquet Saboia deQuem somos nós narra, tomando como referência o ponto de vista dos índios, o encontro dos Wari’ de Rondônia com os brancos. Tratando da dinâmica cosmológica da relação do grupo com a sociedade envolvente, o livro constitui importante contribuição aos estudos dos povos sul-americanos, por ser a primeira tentativa de fôlego na etnologia brasileira de aproximação ao problema da significação indígena das relações com a sociedade nacional
VILAÇA, Aparecida 1958-O livro tem por objetivo oferecer subsídios na aplicação da lei n.11.645/2008 para abordar a temática indígena
Collet, CéliaCruzadas de amor, momentos de glória". Publicado em 1967, é o mais famoso volume de Antônio Callado. Guarda o clima de sua época e reconstrói a história de Nando, padre de Pernambuco que nutre o sonho de reconstituir as missões jesuíticas, mas não se anima a sair de seu mosteiro. Conhece Francisca e o noivo Levindo, dois jovens revolucionários, que participam das Ligas Camponesas. Nando apaixona-se platonicamente por Francisca, mas é introduzido na vida sexual pela inglesa Winifred. O padre, agora sem os medos que o abalavam, parte rumo ao Xingu. De passagem pelo Rio, conhece pessoas ligadas ao Serviço de Proteção aos Índios. Ramiro é o chefe e apaixonado por Vanda, a sobrinha, que é amante de Falua. Há ainda o bem-intencionado Fontoura, que tenta preservar a cultura indígena destruída pelos avanços da civilização. O grupo parte para o Xingu, em época de conturbação política causada pelo atentado a Lacerda e os últimos momentos do governo de Getúlio Vargas, chefe político esperado para a inauguração do Parque do Xingu. Enquanto os índios preparavam a grande festa dos mortos, o quarup, recebem a notícia do suicídio de Vargas. Passam-se os anos, e os membros do grupo se reencontram no Xingu, menos Sônia, que havia fugido com um belo índio. Junta-se ao grupo Francisca, cujo noivo fora assassinado pela polícia. Nando torna-se amante de Francisca, consumando-se a relação amorosa anteriormente platônica. Partem todos em expedição ao centro geográfico do Brasil, atingindo-o somente depois de muitas privações. Nando renuncia ao sacerdócio e passa a trabalhar com a alfabetização de camponeses, cujo movimento ganha força no governo de Miguel Arraes. Os principais momentos da política estão presentes, desde a queda de Goulart até a instauração da ditadura militar e a repressão aos militantes de esquerda. Nando vai preso e, ao ser colocado em liberdade, sabe da partida de Francisca para a Europa. Instala-se em uma casa de praia, empreendendo uma nova cruzada, a cruzada do amor, difundindo aquilo que aprendera com a antiga amante. Em um quarup, em homenagem ao aniversário de morte de Levindo, é apanhado pela polícia e espancado quase até a morte. Recebe socorro de alguns companheiros, dentre eles Manuel Tropeiro, com quem decide partir para o sertão e empreender uma nova jornada de luta. Nando está pronto para encontrar o seu momento de glória
CALLADO, Antonio (1917-1997)Daniel Oliveira Lima, Kawore Parakanã e Tapoxayra Parakanã durante atividade de qualificação do acervo Parakanã do Museu do Índio - Rio de Janeiro-RJ
Paulo BüllPaulo Mumia, Kawore Parakanã e Tapoxayra Parakanã durante atividade de qualificação do acervo Parakanã do Museu do Índio – Rio de Janeiro-RJ
Paulo BüllKawore Parakanã e Tapoxayra Parakanã durante atividade de qualificação do acervo Parakanã do Museu do Índio - Rio de Janeiro-RJ
Paulo BüllIsabel Saraiva, Kawore Parakanã e Ione Couto durante atividade de qualificação do acervo Parakanã do Museu do Índio - Rio de Janeiro-RJ
Paulo BüllPulseira de miçangas constituída de faixa tecida com contas nas cores verde,sendo esta a cor predominante,laranja, azul escuro e preto, formando padrões com motivos característicos do povo
Guarani MbiáPulseira de miçangas constituída de faixa tecida com contas nas cores laranja e azul claro,com motivos geométricos obtidos com miçangas na cor marrom
Guarani MbiáPulseira de miçangas constituída de faixa tecida com contas na cor marrom e apresentando dois motivos geométricos, sendo um em formato de "X"(cor laranja) intercalando o outro, obtidos com miçangas nas cores laranja, azul claro e marrom
Guarani MbiáPulseira constituída de miçangas nas cores branca, vermelha, e preta, formando motivos gráficos característicos do povo. Confeccionada com linha sintética vermelha.
KaingangTextos temáticos do Volume 2 do Projeto Pesquisa Escolar no site do Museu do Índio realizado pelo Serviço de Estudos e Pesquisas do Museu do Índio para orientar a pesquisa escolar sobre as sociedade indígenas no Brasil
Os caminhos da produção não-capitalista; Este volume é dedicado à economia solidária e às alternativas de produção não-capitalista sob a forma de cooperativas, empresas auto-gestionárias, de gestão coletiva da terra e associações de desenvolvimento local, etc
SANTOS, Boaventura de Souza (org)Publicação sobre alcoolismo entre povos indígenas no Brasil
Souza, Maximiliano Loiola de (Organizador)Estuda o padrão da tuberculose em grupos indígenas brasileiros entre 1965-1980
COSTA, Dina CzeresniaO catálogo apresenta o projeto de "civilização" dos índios desenvolvidos de 1910 a 1967, a partir das atividades de contato, pelo Serviço de Proteção aos Índios - SPI, a agência governamental responsável pela política indigenista brasileira da época. Revela, também, as arriscadas ações dos agentes em suas expedições de atração e pacificação
FREIRE, Carlos Augusto da RochaPrimeiras Cartas do Brasil reúne as primeiras cartas escritas no Brasil a serem publicadas. Impressas originalmente em Coimbra em duas coletâneas – uma de 1551 e outra de 1555 –, impressionam ainda hoje pela força de suas informações e sinceridades de seus relatos; Observadores atentos, os missionários da Companhia de Jesus descrevem nesse livro as suas aventuras entre índios e colonos, procissões na selva, conversões, fugas, cenas de canibalismo, milagres, construções de igrejas e casas, expedições cercadas de perigos; A objetividade e simplicidade dessas cartas – que encantaram os leitores quinhentistas e foram um verdadeiro sucesso editorial à época ao serem traduzidas em diversas línguas
Preto no branco é um trabalho já clássico e, de certa forma, premonitório. Nos anos 1970, época em que a questão racial andava esquecida pela academia, e ainda não fazia parte do debate público, Thomas E. Skidmore, decano entre os “brasilianistas”, tenta compreender um momento central para a explicação do racismo na sociedade brasileira. Seu estudo causou grande sensação na época e ajudou a recolocar em pauta esse tema agudo da realidade nacional. Com base nos escritos e discursos de uma grande gama de cientistas, políticos e romancistas, o livro revela que a intelligentsia local, influenciada por padrões e formas europeus, procurou acomodar as teorias racistas então em voga - que consideravam o negro inferior e condenavam a mestiçagem - à situação local. A solução original encontrada foi o “branqueamento” da sociedade, por meio da imigração europeia. Skidmore mostra, no entanto, como as ideias deterministas foram gradualmente cedendo lugar a novas perspectivas, que davam ênfase aos aspectos positivos da miscigenação, e acabaram por produzir um consenso sobre a existência de uma “democracia racial” no país, tese que gerou uma percepção distorcida do racismo brasileiro
SKIDMORE, Thomas EA publicação apresenta setenta monumentos do patrimônio histórico apoiados pelos BNDES e, dentre eles, o Museu do Índio
Suchodolski, Sergio GusmãoPrelúdio da cachaça' é o resultado de minuciosa pesquisa de Câmara Cascudo, em que foi necessário recorrer a objetos, documentos e fontes, as mais diversas além de, o próprio autor, refazer uma viagem na linha do tempo, para oferecer aos estudiosos e interessados a mais densa e saborosa - sem trocadilhos - pesquisa sobre a cachaça, a conhecida 'água que passarinho não bebe'
Cascudo, Luis da Camara