Religião indígena
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Neste trabalho, a autora procura abordar aspectos da dinâmica dos Guarani-Mbya, como xamanismo, mobilidade, relações de parentes e cosmologia. Inicialmente, compõe um mapa geral das duas aldeias mbya em que viveu, com o objetivo de tornar possível ao leitor visualizar os contextos locais em suas particularidades. Depois, aprofunda-se, dedicando-se à etnografia dos deslocamentos, do parentesco, de aspectos estruturais da multilocalidade mbya. Trata também da questão da não-durabilidade da vida humana, ligada ao tema da doença, analisa capacidades existenciais enviadas aos humanos pelos deuses, com atenção à noção de alma e dos nomes pessoais, finalizando com o tema da vida breve no comentário do tratamento, pela cosmologia mbya, da morte, da imortalidade e do destino incorruptível da pessoa na "Terra sem mal"
PISSOLATO, ElizabethFruto de uma longa vivência entre os Guarani em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul, de uma densa pesquisa em documentos históricos do período colonial e de uma leitura criteriosa da etnologia referente à religiosidade Guarani, este livro se define, nas palavras da autora, "duplamente como uma teologia índia feita por uma teóloga cristã e como tradução de uma experiência religiosa indígena". Ao enfocar a maneira pela qual os índios cristãos têm permanecido "fiéis aos grandes valores de seu sistema cultural", a autora permite repensar a longa relação entre os Guarani e o cristianismo
CHAMORRO, GracielaNessa antologia o autor reuniu os mitos - histórias dos deuses, do mundo e dos homens. Destaca-se a linguagem de um desejo supra-humanidade, desejo de uma linguagem próxima daquela dos deuses - os sábios guaranis souberam inventar o esplendor solar das palavras dignas de serem dirigidas somente aos divinos
CLASTRES, PierreAo longo do século XVI os colonizadores europeus se horrorizaram com um fenômeno religioso entre os tupis, a que chamaram santidade. Nela, em meio a danças, transes, cânticos e À fumaça inebriante do tabaco, os índios renovavam a peregrinação À Terra sem Mal - lugar mítico da felicidade eterna que buscavam no mundo terreno. Vasculhando documentação inquisitorial inédita sobre o culto indígena na fazenda de Jaguaripe (Bahia), Ronaldo Vainfas descobre na santidade uma idolatria insurgente, culturalmente híbrida, que ao mesmo tempo negava e incorporava valores da dominação colonial. Por meio de um texto apaixonado e instigante, o autor lança luz sobre uma nova e reveladora faceta da conquista da América portuguesa
VAINFAS, RonaldoOs mitos heróicos ocupam posição de destaque no conjunto das tradições culturais de muitas nações indígenas sul-americanas, ao exercerem a função primordial de exprimir o “valor social” da cultura do grupo e também de legitimar o padrão de comportamento tribal, os parâmetros morais e as instituições fundamentais da sociedade, além de fornecer aos membros do grupo o senso de unidade e de oposição a outros grupos. Ao lado da reflexão teórica, este estudo pioneiro detalha a análise do papel do herói-civilizador na vida religiosa e nos surtos messiânicos dos apapokúva-guarani, da presença do herói mítico entre os kaduvéo, e das relações entre a mitologia e o sistema de vida de outros povos, tais como os kaigáng, os borôro e os mundurukú
SCHADEN, Egon (1913-1991)A dissertação acompanha a trajetória histórica de Atalaia, um aldeamento composto por índios Kaingang que teve sua concepção no governo da Capitania de São Paulo durante o processo de colonização dos Campos de Guarapuava na primeira metade do século XIX
TAKATUZI, TatianaEste livro, escrito por um dos melhores etnólogos modernos, é uma obrigação para os especialistas, assim como leitores em geral interessados em obter uma visão profunda da cosmologia de índios da Amazônia. It provides the reader with a model for symbolic interpretation of rituals, myths, deities, astronomical cycles and everyday life aspects of the Desana, an ethnic indigenous group that lives near the Colombian Vaupés River. Ele oferece ao leitor um modelo de interpretação simbólica de rituais, mitos, deuses, ciclos astronômicos e aspectos da vida cotidiana do Desana, um grupo étnico indígena que vive perto do rio Vaupés colombiano. The author uses a linguistic approach to analyze the detailed interviews with his informants, who are acculturated shamans, whom describe to minimum detail the symbolic meaning of their spiritual and material culture. O autor usa uma abordagem lingüística para analisar as entrevistas detalhadas com seus informantes, que são aculturados xamãs, que descrevem a mínimos detalhes o significado simbólico de sua cultura material e espiritual. The index is very useful for research of particular themes. O índice é muito útil para a pesquisa de temas específicos
REICHEL-DOLMATOFF, GA primeira análise em profundidade da vida social, política e religiosa de um povo Tupi-Guarani contemporâneo: os Araweté do médio Xingu (Pará). O autor viveu onze meses entre eles; aprendendo sua língua e participando de seu cotidiano, tentou apreender as questões que fundam a cosmologia, a filosofia social e a concepção da pessoa humana subjacentes a esta cultura, uma das poucas que segue resistindo com inteireza à ação civilizatória da Amazônia. Este trabalho foi premiado como a melhor tese de doutorado no I Concurso de Teses Universitárias e Obras Científicas promovido pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs)
CASTRO, Eduardo Viveiros deO livro oferece importante contribuição para o entendimento do universo dos Guarani-Mbyá, índios que começaram a adquirir maior visibilidade pelas lutas que travam para assegurar pequenas áreas de terra que lhes permitam manter, pelo menos, parte do seu modo de vida. O autor mostra com maestria a dignidade desses índios, destacando sua visão de mundo, sua cosmologia e suas representações étnicas
LITAIFF, AldoAuxilia na realização de uma evangelização junto aos índios Bororo, e a objetiva efetuar contatos de catequeses com outros grupos indígenas
PENNISI, AntoninoFruto subsidiário de uma pesquisa sobre o universo botânico dos Kaiowá, este livro reúne um grande número de cântigos, narrativas e depoimentos de índios enfocando sobretudo o tema da origem dos Kaiowá e de suas práticas culturais. Apesar de um índice temático abrangente, o livro é difícil de manusear e de apreciar. Há informações e perspectivas interessantes sobre a história dos Kaiowá, porém o organizador não deixa claro quem são os narradores, que ficam diluídos numa categoria geral de “informantes”. Ainda assim, conforme salienta Sílvia Carvalho na orelha do livro, a obra tem uma escala monumental que reflete a longa experiência do organizador entre os índios e, ademais, através da colaboração do tradutor Kaiowá Aniceto Ribeiro, a edição bilíngue contribui para colocar um material ao alcance de estudantes indígenas.
GARCIA, Wilson GalhegoEm 1951 ocorreu um movimento messiânico entre os craôs do norte de Goiás, naquela parte que mais tarde viria a ser desmembrada para formar o estado do Tocantins. Em 1963 eclodiu um movimento semelhante entre os canelas do sul do Maranhão, falantes da mesma língua timbira e com a mesma orientação cultural. Apesar do intervalo de doze anos entre essas manifestações, elas vieram a cair no conhecimento dos etnólogos e outros não índios no mesmo ano de 1963. No caso canela, o etnólogo William Crocker veio a saber dele imediatamente após sua repressão, pois chegava para realizar mais uma etapa de pesquisa de campo. Também os brancos das vizinhanças da terra indígena logo sentiram que algo diferente estava acontecendo quando acometidos por uma intensificação da captura de gado que os levou ao confronto com os índios
MELATTI, Julio CezarEste livro é um estudo etnográfico sobre os Marubo do alto rio Ituí (Vale do Javari, Amazonas)examina cantos e depoimentos de xamãs que se dedicam, por meio da linguagem poética, a dilemas tais como a morte e os ciclos vitais, a constituição do mundo e da pessoa, as relações entre visível e invisível. Em suas diversas manifestações – como, por exemplo, a narração de mitos, o acompanhamento dos mortos em seu destino póstumo, o trabalho da cura e das relações com espíritos –, é notável a construção de uma poética da distância, dos deslocamentos e da nostalgia. São essas algumas das marcas de um mundo no qual o que se concebe como humano se estende para vastas e insuspeitas formas de relação, mediadas pelas ações e palavras dos xamãs. Ao articular traduções com detalhadas descrições de rituais, análises de iconografias e reflexões teóricas, Oniska é uma contribuição importante e oportuna aos ainda raros estudos fronteiriços entre antropologia e literatura, em especial no que se refere às complexidades das artes verbais associadas ao xamanismo
Cesarino, Pedro de NiemeyerPrêmio de melhor tese de doutorado no Concurso CNPq-ANPOCS de 2002, este livro oferece leituras instigantes de um vasto repertório documental. Dividido entre o século XVI e o XVII, entre o litoral e o sertão, entre os Tupi e os Kariri, entre a Antropologia e a História, o trabalho explora as múltiplas dimensões da tradução, não apenas no plano lingüístico como também (e sobretudo) no espaço do encontro entre horizontes cosmológicos distintos. Na primeira parte, ao refazer a trajetória do "profetismo tupi-guarani", a autora mostra a necessidade de reler as fontes à luz de uma crítica às leituras de outros estudiosos; na segunda, ao evocar a riqueza das missões do sertão nordestino, demonstra as possibilidades (e limites) do rico acervo de escritos missionários, que muito podem informar sobre a disputa entre índios e missionários em torno do poder simbólico
POMPA, Cristina