Maria, bolsista indígena, filma a cozinha de Terezinha, em Buaçu. Ao fundo, um fogão de barro, tijolos e tábuas. O chão é de paxiuba, como é comum nas casas kulina. A cozinha tem paredes de paxiuba também. Há alguns armários de ripas de madeira e um girau alto para guardar alimentos, utensílios e outras coisas. A um canto vemos alguns cestos tsahe com bananas. Pendurados também ficam alguns pequenos tsahe que guardam coisas e alimentos da casa. E há ainda um tsahe pequeno qu serve de casa para um casal de cocotas que Terezinha cria.
Coletivo KulinaMuseu do Índio
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Hohori: De acordo com os indígenas, os vasos de cerâmica do tipo hohori eram produzidos com tamanhos grandes, médios e pequenos, mais ou menos com um mesmo formato, como uma grande lâmpada. Os pequenos eram utilizados como brinquedos pelas crianças. Os médios eram utilizados para guardar pequenos objetos de decoração corporal, como tintas, urucum e genipapo, etc.
George MagaraiaRaimundo Kulina, Benjamim Kulina, Arnaldo Filho Kulina e a equipe de museologia na Reserva Técnica das cerâmicas. Raimundo e Benjamim vestemtesteiras de miçangas e Arnaldo testeira de algodão. Raimundo veste um colar grande de miçangas e Benjamim veste dois colares pequenos também de miçangas. Benjamim está com a câmera na mão. A testeira de Raimundo é adornada com motivos coloridos da jararaca (ziki mekhene hanon); o colar é adornado com motivos coloridos de cobra do mato chamada zero makhani hanoni.
George MagaraiaO irmão de Kaino também veste a braçadeira para pousar para foto e mostrar como ela é usada pelos Kulina.
Coletivo KulinaHomens de várias aldeias se pintam e colcoam adereços de vários tipos, como grandes colares, tiaras, gargantilhas, pulseiras, etc, para participar de uma grande e importante reunião na aldeia Santa Júlia.
Coletivo KulinaAndreia apresenta a exposição ashaninka e explica para os Kulina como ela foi concebida. Raimundo Kulina presta muita atenção e nos ajuda a pensar, ali mesmo, quais os objetos e imagens kulina seriam interessante de colocar em exposição naquele espaço. Ele procura experimentar todos os objetos da cultura ashaninka que estão a mostra no espaço.
Coletivo KulinaA museóloga Andrea mostra uma máscara xinguana de palha do acervo do Museu do Índio para que os Kulina possam explicar para ela como é a máscara koama. Eles comparam o material, as técnicas de criação e a forma da máscara (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores indígenas: Adlea raimodo hinawi. No wei kanaralí raimodo za).
George MagaraiaAparece um homem-jaguatirica enquanto Kubil fura os buracos da flauta.
Coletivo KulinaArcos amarrados com o cipó prontos no chão.
Coletivo KulinaArnaldo Filho Kulina ao lado de shashakora. Arnaldo traz uma máquina de retratos pendurada no pescoço. Benjamim registra a explicação com a filmadora. Eles se encontram na sala de museologia do Museu do Índio fazendo a qualificação do acervo kulina.
De acordo com a equipe de qualificação, antigamente os Madiha usavam o shashakora como cama. Ele é feito da folha da palmeira aricuri, chamada na língua kulina de birihari nodi. É confeccionado pelas mulheres e em geral compõem-se de duas partes fechando todo o chão para o casal. Ainda hoje ele é utilizado para fechar o chão sob o mosquiteiro. Dormem assim as mulheres e crianças nas redes e os homens no chão sobre o shashakora.
Hohori de taboca.Atualmente, nas festas, é utilizado um hohori feito inteiramente de taboca (zumi na língua kulina). A caixa acústica, que antes era feita pelo vaso de cerâmica, atualmente é feita com um pedaço de taboca mais grosso. Estes hohori são em geral pintados com diversos padrões encontrados em animais, assim como os hohori de cerâmica.
George MagaraiaArnaldo e Raimundo buscam identificar os padrões de grafismo reproduzidos nas peças de miçanga. Além dos padrões encontrados nas peles de animais, os Kulina identificam alguns grafismos como sendo padrões kaxinawá, etnia que divide a sua terra indígena (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Arnaldo Raimodo sapel sowiko bananí. Karínaralí. Sapel sanai karí naralí).
George MagaraiaArnaldo Kulian e Raimundo Kulina testam os vasos de cerâmica para avaliarem qual deles é adequado para ser utilizado como buzina. Os hohori médios eram utilizados, sobretudo, como instrumento musical, uma espécie de buzina tocada nas festas (mariris) em que se aglomeravam pessoas de várias aldeias. Eram tocados pelos visitantes avisando que estavam chegando, mas também durante todo o período da festa. Eram tocados nas ocasiões dos Koiza, Ahie´e, Doshe´entre outras festas tradicionais dos Kulina. O vaso arredondado com a boca mais fechada é associado a um tubo de taboca. O tocador faz vibrar, soprando, o tubo de taboca dentro do vaso e este faz reverberar o som de buzina pelo espaço da aldeia e da mata.
George MagaraiaArnaldo filmando com celular as cerâmicas na reserva técnica do Museu do Índio. Ele está adornado com testeira de algodão colorida (Descrição dos pesquisadores indígenas: Arnaldo sapel Karí selula karinarílí. Ssíkí na atoni khide toraralí).
George MagaraiaArnaldo filma com celular as peças de cerâmica guajajara: canoas com pessoas remando.
George MagaraiaArnaldo Kulina pousa para foto ao lado de foto de menino Ashaninka com cachimbo na boca na porta da exposição ashaninka.
Coletivo KulinaArnaldo Kulina assina o livro da exposição ashaninka.
Coletivo KulinaArnaldo Kulina experimenta o tradicional adereço ashaninka do tipo bandoleira. Ele é bem diferente dos adas kulina. É bem maior, com várias voltas grandes de contas vermelhas, feitas de sementes e adornado com penas coloridas de pássaros. As voltas de contas vão do ombro até a altura do joelho.
Coletivo KulinaArnaldo mostra como os homens carregam o shapoto. Passam a alça pelo peito, ao contrário das mulheres que passam a alça pela testa.
George MagaraiaArnaldo Kulina pousa para foto em frente ao prédio da administração do Museu do Índio.
Coletivo KulinaArnaldo Kulina pega a bolsinha ashaninka em exposição no Museu do Índio. Ele chama a atenção para o detalhe das penas amarelas que estão pregadas na bolsa, que é de algodão.
Coletivo KulinaArnaldo Kulina mostra como se toca a flauta totore. Ele conta que fez muitas flautas quando era adolescente e lamenta que os adolescentes não se interessem mais pela flauta (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Arnaldo wítalí za sapel wepe bananí. Tatíwitalí naza. Tole tole naralí).
George MagaraiaArnaldo Kulina observa foto de menina ashaninka com pintura facial e roupas tradicionais. Ele vai imaginando como poderia ser uma exposição kulina, com pinturas faciais, com objetos interessantes e fotos bonitas de seu povo. Ele sugere um espaço dedicado às sessões de rami.
Coletivo KulinaBoborara. O boborara é um instrumento confeccionado a partir da taboca (zumi). É uma flatua do tipo transversal, muito tocada nas ocasiões em que a aldeia está em festa, seja nos mariris ou Ahie´e, seja nos rituais Koiza ou nos Doshe´e. Os homens jovens, sobretudo, têm o costume de tocar estas flautas para alegrar as festas na aldeia. Os iniciantes de pajé aprendem a produzi-las e a tocá-las com os mestres pajés que os iniciam. Esta flauta também está associada ao Tokorimekha Ahie´e, que é uma festa realizada no terreiro da aldeia nas noites em que os espíritos vêm cantar e dançar com as mulheres. Nestas ocasiões, as mulheres e outras pessoas presentes na aldeia, escutam os espíritos tocando boborara lá no meio do mato. A história narrada sobre esta flauta informa que os jovens eram enviados para outras aldeias para convidarem as pessoas de longe para a festa em sua aldeia. Eles o faziam tocando o boborara. Os pajés são os principais especialistas na confecção e execução desta flauta, embora não sejam exclusivos.
George MagaraiaTotore: a flauta totore é muito utilizada durante todo tipo de festas e rituais: nos mariris, nos rituais Koiza e nos Doshe´e. Ela é confeccionada a partir dos gomos mais finos da taboca (zumi). Os maiores especialistas na confecção e execução destas flautas eram, antigamente, os jovens, mulheres e homens. Durante as festas, explicam os indígenas, meninos e meninas utilizavam-se das flautas totore para convidar os parceiros sexuais para encontros na mata. Os Kulina lamentam que os jovens atualmente não saibam mais confeccionar ou executar estas flautas, empobrecendo o universo sonoro das aldeias(foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Arnaldo totoleza. Tole tole narali sapel wepe bananí).
George MagaraiaNadina confecciona um hepiri com um formato especial para que se possa embalar e carregar os instrumentos adquiridos para o Museu do Índio.
Coletivo KulinaDetalhe do breu na abertura do casco do jabuti.
Coletivo KulinaJoão Ikobo ajeita bem o breu na abertura do casco do jabuti.
Coletivo KulinaJoão Ikobo aponta a direção por onde irá para buscar o zumi, isto é, a taboca fina, utilizada para fabricação das flautinhas que compõem o instrumento. Ele explica que tem delas bem perto de sua casa, no mato.
Coletivo KulinaKomizi confeccionou uma flautinha com os restos rachados deixados por kubil e fica brincando e tocando sua flauta.
Coletivo KulinaJoão Ikobo traz o casco de jabuti que estava pendurado na árvore no mato.
Coletivo KulinaJoão Ikobo busca o zumi no mato, perto de sua casa.
Coletivo KulinaJoão Ikobo coloca o breu na abertura do casco do jabuti.
Coletivo KulinaCom a ponta do breu amolecida pelo fogo, é possível tirar um pouco de breu com a faca.
Coletivo KulinaJoão Ikobo cortando com terçado os pedaços de taboca que farão as flautas.
Coletivo KulinaJoão Ikobo esquenta no fogo o pedaço de breu que tem guardado.
Coletivo KulinaJoão Ikobo testa o breu, friccionando os dedos para avaliar a sonoridade produzida.
Coletivo KulinaJoão Ikobo leva o casco até o local próximo do ninho de formigas.
Coletivo KulinaJoão Ikobo toca o instrumento, friccionando os dedos no breu, produz um som amplificado pelo casco de jabuti (quanto maior o casco maior amplificação, tenta explicar o artesão), e soprando as flautas em sincronia com o som da fricção.
Coletivo KulinaJoão Ikobo passa a corda no oco do casco de jabuti. Esta corda é que conectará as partes do instrumento: o casco que vibra quando o dedo fricciona o breu e as flautas que acompanham a sonoridade do casco.
Coletivo KulinaJoão Ikobo pendura o casco de jabuti em uma árvore perto de casa para que as formigas hani acabem o trabalho que as formigas mapo não terminaram nos dois dias em que o casco ficou no mato.
Coletivo KulinaJoão Ikobo explica para os pesquisadores indígenas e outros curiosos que tipo de formigas vão realizar o trabalho de limpeza do casco do jabuti.
Coletivo KulinaDetalhe do breu na faca. Ele será usado na abertura do casco do jabuti.
Coletivo KulinaKomizi ajusta a pequena zarabatana de lançar feitiços, o soprador de feitiços, conhecida entre os kulina como ´dori hahapo´.
Coletivo KulinaZupira, de Santa Júlia, e netas vão ao roçado para arrancar algumas macaxeiras para trazer para o almoço. Como o roçado fica bem no meio do caminho na mata pelo qual nos conduzia Komizi quando buscávamos o koama (a máscara dos espíritos), ele brincou que a avó e as meninas eram os espíritos. Enquanto alguns cestos shapotos aguardam no chão cheios das raízes, outros vão se enchendo com o trabalho das mulheres.
Coletivo KulinaBenjamim Kulina, com chapéu de miçanga com motivos de jibóia (boria makha hanon), soprando hohori de cerâmica (da etnia Tukano) pintado com bonitos motivos não reconhecidos.
George MagaraiaBenjamim Kulina tenta aprender com Raimundo o modo como se toca o Hihiti. (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores indígenas: Benjami rírítíza rítíritínaralí. Mattoza sowi ko pamo e aníní).
George MagaraiaBenjamim Kulina registra com a filmadora a qualificação do acervo Kulina no Museu do Índio (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores indígenas: Bejami fílmi za Fílma de toraralí. Mattoza sowiko pama naralo).
George MagaraiaBenjamim fazendo filmagem da visita à Reserva Técnica do Museu do Índio. Ele está ornamentado com testeira de miçanga, dois colares também de miçangas do tipo gargantilha e um relógio. Os colares têm pingentes, um com figura de beija-flor e outro de bonequinha. A testeira é adornada com motivos coloridos da jibóia (boriamakha hanon).
George MagaraiaBenjamim Kulina filma Raimundo Kulina, que vê peças de cerâmica guajajaras. Atrás dele, estão os vasos de cerâmica vermelhos do Xingu.
Benjamim está ornamentado com testeira de miçangas, dois colares também de miçangas do tipo gargantilha e um relógio. Os colares têm pingentes, um com figura de beija-flor e outro de bonequinha. A testeira é adornada com motivos coloridos da jibóia (boriamakha hanon).
Raimundo está ornamentado com testeira, colar e pulseira de miçangas. A testeira é adornada com motivos coloridos da jararaca (ziki mekhene hanon). O colar é adornado com motivos coloridos de cobra do mato chamada na língua kulina zero makhani hanoni (não foi possível identificar o nome em português). O motivo principal dos desenhos do colar são padrões kaxinawá, segundo os Kuliina. A pulseira é adornada com duas figuras de araras (waha).
Benjamim sentado na escada da sala de museologia, operando filmadora. Atrás, na parede, desenhos de indígenas operando vários redes tradicionais de pesca. Ele está filmando a qualificação do acervo kulina feita por Arnaldo e Raimundo Kulina, junto à equipe de museologia do Museu do Índio
George MagaraiaBenjamim gravando as explicações de Raimundo e Arnaldo Kulina sobre as peças kulina enquanto Fabiana anota as informações no caderno.
George MagaraiaBenjamim se encaixa em um dos chapéus em exposição no espaço para tirar uma foto. Ele carrega consigo a filmadora.
Coletivo KulinaTrês bolas de argila na bacia, duas amarelo-acinzentada e uma amarelo-avermelhada.
Coletivo KulinaTrês peças de argila na bacia: duas de cor (homogênea) amarelo-acinzentada e um de cor (homogênea) amarelo-avermelhada.
Coletivo KulinaRaimundo Kulina sopra heihei (buzina de rabo de tatu). De acordo com os Kulina, o heihei pinini (o cabo do heihei) está ornamentado com motivos de hidepe ori hanon (cobra do mato – não foi possível identificar a espécie). (Descrição dos pesquisadores indígenas: Raimodo reireiza rapponaralí. Tati sowiko.Banani Kari naralí).
George MagaraiaMulheres e crianças assistem a busca por argila para cerâmica.
Coletivo KulinaA carne tirada do casco do jabuti para fazer o instrumento musical (vai direto para o fogo, pois é muito apreciada pelos índios.
Coletivo KulinaDetalhe do casco do jabuti pendurado já infestado de formigas.
Coletivo KulinaCasco pronto com as cordas que o conectam às flautas.
Coletivo KulinaNomiha com pintura facial e enfeite de cabeça feito de palha verde.
Coletivo KulinaCesto shapoto abandonado embaixo da casa se transforma em galinheiro. A mãe se alimenta com as filhas em sua casa. Abaixo, no solo, as galinhas usam o shapoto velho abandonado como ninho.
Coletivo KulinaEnquanto João Ikobo (Santa Júlia) trabalha na criação de um Teteko, vários cestos de vários modelos, shapoto, tsahe, entre outros, aguardam amontoados a hora de Zupira – esposa de João Ikobo – ir com o marido e as netas para o roçado. Komizi assiste ao parente deitado em uma powi (tradicional rede de algodão kulina) e alguns jovens aprendem o processo de fabricação do Teteko. Antes de irem para o roçado, as mulheres juntam os cestos disponíveis e que serão necessários para os produtos que calculam trazer.
Coletivo KulinaNa praia, à margem direita do rio Purus, na altura de Manoel Urbano, as famílias kulina acampam, permanecendo às vezes por muitos dias. Eles levam um rancho para se alimentar durante o tempo em que permanecem acampados na praia da cidade. Cachos de bananas, macaxeira são levados nas canoas em shapotos grandes. Também é levado carvão
Coletivo KulinaTsinte witsun xete, instrumento para tecer os witsun, adornos trançados (pulseiras, braçadeiras e jarreteiras), utilizados por todos os habitantes de uma aldeia. É usado junto aos teares, ambos os instrumentos essencialmente femininos e produzidos pelas próprias mulheres.
Michelle LudvichakTsinte, colher de madeira que serve para mexer a caiçuma enquanto esta esquenta ao fogo. É feita a partir do tronco da palmeira wani, pupunheira (Bactris gasipaes). É um instrumento de extrema importância para o universo feminino e é enterrado com a proprietária na hora de sua morte.
Michelle LudvichakMatsu, cuia de cerâmica simples e base côncava. Serve para beber caiçuma, seja no dia a dia, seja durante os rituais.
Michelle LudvichakTsinte witsun xete, instrumento para tecer os witsun, adornos trançados (pulseiras, braçadeiras e jarreteiras), utilizados por todos os habitantes de uma aldeia. É usado junto aos teares, ambos os instrumentos essencialmente femininos e produzidos pelas próprias mulheres.
Michelle LudvichakTsinte, colher de madeira que serve para mexer a caiçuma enquanto esta esquenta ao fogo. É feita a partir do tronco da palmeira wani, pupunheira (Bactris gasipaes). É um instrumento de extrema importância para o universo feminino e é enterrado com a proprietária na hora de sua morte.
Michelle LudvichakTëtxuk, pote de cerâmica arredondado e base côncava. Este exemplar possui faces com feições antropomórficas modeladas em todo o entorno de suas paredes externas. Serve para conter a água usada para a preparação da bebida tatxik, tomada em grupo pelos homens diariamente no centro das malocas.
Michelle LudvichakMariwin maxó (“cabeça do mariwin”), com pintura de urucum característica que cobre toda a sua superfície, portando adornos: demux no nariz, kwiashak feitos de paina de samaúma ao redor da boca e mananukit feitos de madeira. Uma das únicas máscaras feitas somente de cerâmica na Amazônia, e também uma das únicas peças de cerâmica dessa região que pode ser construída pelos homens, mesmo que com a ajuda das anciãs, chamadas matxó.
Michelle LudvichakMariwin maxó (“cabeça do mariwin”), com a pintura de urucum característica que cobre toda a sua superfície, portando adornos: demux no nariz, kwiashak feitos de paina de samaúma ao redor da boca e mananukit feitos de penas de arara azul. Uma das únicas máscaras feitas somente de cerâmica na Amazônia, e também uma das únicas peças de cerâmica dessa região que pode ser construída pelos homens, mesmo que com a ajuda das anciãs, chamadas matxó.
Michelle Ludvichaksemente negra arredondada utilizada pelas mulheres para polir as peças de cerâmica depois de modeladas e secas, antes de serem queimadas. As mulheres passam horas polindo suas peças com os nome matis, o que garante a qualidade de suas cerâmicas.
Michelle LudvichakMasën, buzina, único instrumento musical matis da atualidade. Sua caixa de ressonância é feita de argila, onde estão pintados com urucum os motivos bëri bëri e também estão incisos os traços geométricos muxa, “tatuagens”, que demonstram a importância do artefato. Serve para convidar os mariwin para a maloca, ou chamar as pessoas para uma refeição abundante de carne. Serve também para qualquer outro tipo de situação em que se quer reunir os habitantes de uma aldeia na maloca central: reuniões políticas, festas ou emergências. Hoje em dia, é usado também nas escolas, para chamar os alunos para as aulas.
Michelle LudvichakXucate, abano trançado. É um objeto poli funcional, já que além de servir como abano para avivar o fogo, também pode ser utilizado como prato, tampa de panela, assento feminino e, durante os rituais da etnia, para abanar os jovens em iniciação, como na cerimônia da tatuagem, na qual as mulheres abanam as faces dos jovens com o xucate, para aplacar as dores causadas pelas perfurações das tatuagens.
Michelle LudvichakAncha, prato ritual utilizado exclusivamente durante a cerimônia iniciatória da tatuagem, servindo exatamente como suporte para os espinhos de pupunheira (Bactris gasipaes) usados pelos tatuadores para a marcação das faces dos jovens.
Michelle LudvichakTxuma, cuia de cerâmica, base côncava, que possui em sua borda uma aba unilateral, local em que tem preso um cordel feito de xapex (tucum). É usada para se tomar a bebida tatxik, consumida em grupo pelos homens diariamente no centro da maloca.
Michelle LudvichakEnawat, talhadeira feita com um dente de capivara e que leva o mesmo nome desse animal, enawat (“capivara”). Há exemplares semelhantes feitos, por sua vez, de dentes de cutia, chamados de madë xëta (“dentes de cutia”). É usado durante algumas das etapas da feitura das armas pelos homens: para talhar o orifício da zarabatana por onde passam os dardos, para afiar as flechas e fazer as flechinhas infantis.
Michelle LudvichakTenke, aljava onde são levados os dardos da zarabatana e os outros instrumentos necessários para a caça com essa arma, como paina de samaúma e argila.
Michelle LudvichakTear, feito a partir de um galho dobrado em formato triangular, que serve para a feitura dos witsun, adornos trançados (pulseiras, braçadeiras e jarreteiras), usados por todos os habitantes de uma aldeia.
Michelle LudvichakTatxik nokoxkatê, ralador para o cipó tatxik, matéria-prima de uma bebida de mesmo nome, tomada diariamente em grupo pelos homens no centro da maloca. É compartilhado por todos os homens durante uma roda da bebida.
Michelle LudvichakTëtxuk, pote de cerâmica arredondado, base côncava e protuberâncias nas paredes externas. Serve para conter a água usada para a preparação da bebida tatxik, tomada em grupo pelos homens diariamente no centro das malocas.
Michelle LudvichakTsanut, concha lacustre utilizada pelas mulheres para a modelagem da argila durante a feitura de peças de cerâmicas. Cada mestra artesã possui uma coleção de tsanut, constituída de conchas dos mais diferentes tamanhos, que utilizam para a modelagem dos mais diversos artefatos de cerâmicas.
Michelle LudvichakAdorno facial demux, ornamentos nasais feitos a partir dos espinhos retirados do interior da casca da palmeira de isan, patauá (Jessenia bataua). Foi trazido também para a instituição um pedaço da casca dessa palmeira, com os espinhos negros in natura dentro.
Michelle LudvichakXapex, rolo de fio feito de fio de tucum, matéria- prima usada para o trançado das mais diferentes classes de artefatos: adornos (witsun), redes (di), peneiras (sekte), entre outros.
Michelle LudvichakArco e flechas, arma que serve para a caça de grandes mamíferos terrestres, como queixadas (shawa), porquinhos do mato (unquin), e mais raramente antas (awat).
Michelle LudvichakXëkpan, arco e flechas infantil. Os próprios meninos costumam construir as suas flechinhas, que usam para treinar a sua mira e brincar com os amigos.
Michelle LudvichakKubil e Zakaria furam as peças de taboca, zumi, com pedaços de pau ou taboca em brasas.
Coletivo KulinaMenina de Santa Júlia é deixada pela mãe na porta de casa, perto de fogueira onde também são deixados alguns shapotos que acabaram de chegar do roçado e os cachos de bananas que foram transportados neles. Na fogueira, algumas panela já começam a ferver para cozinhar as bananas. A menina brica com um dos cachorros que estavam deitados sob a fogueira para se aquecer. Muitas casas kulina não tem uma cozinha propriamente dita e tampouco um fogão. Em geral são casas de um grande cômodo apenas, às vezes aberto. Ou ainda há casas que tem apenas um quarto fechado e uma varanda aberta. Nestes casos, as mulheres fazem fogueiras no nível do solo, onde cozinham e se aquecem.
Coletivo KulinaDetalhe da confecção da buzina de Wemo.
Coletivo KulinaDetalhe da máscara feita de folhas secas de bananeira da criança durante um Doshe´e (ritual de pescaria coletiva) na aldeia Santa Júlia.
Coletivo KulinaDetalhe de João Ikobo ajustando o breu na abertura do casco do jabuti.
Coletivo KulinaDetalhe de mãos de Nomiha amassando argila para cerâmica.
Coletivo KulinaDetalhe de mãos de Zakari descascando o cipó.
Coletivo KulinaDetalhe de Zakari tirando os cipós.
Coletivo KulinaVaso grande que Nomiha está moldando.
Coletivo KulinaO prato ainda aparentando os enroladinhos de argila – não foi ainda acertado.
Coletivo KulinaDistribuição de miçangas para as mulheres na aldeia Santa Júlia. Em uma cabaça gigante, colocamos toda a miçanga, chamamos as mulheres com o heihei, a buzina do chefe. Na foto, Komizi e outros misturam a miçanga na cabaça.
Coletivo KulinaKubil e Komizi organizam a distribuição enquanto as mulheres chegam com canecos e plásticos para pegar sua miçanga.
Coletivo KulinaKomizi mistura a miçanga na cabaça enquanto crianças, homens e mulheres assistem ansiosos.
Coletivo Kulina