No momento histórico atual, em que a crescente globalização parece nos levar a uma visão cada vez mais homogeneizadora (universal) da humanidade, vivem-se também movimentos heterogeneizadores (particulares) da história e da cultura. Para uma região como Tocantins, cuja população vivenciou mais de dois séculos de isolamento, esta mundialização aconteceu com as transformações advindas da criação do Estado em 1988. No entanto, que histórias foram feitas durante aqueles duzentos anos que contribuiram para formar o atual Tocantins? O presente livro é uma tentativa de dar algumas respostas para esta questão
GIRALDIN, Odair (org)Livro
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Em 1951 ocorreu um movimento messiânico entre os craôs do norte de Goiás, naquela parte que mais tarde viria a ser desmembrada para formar o estado do Tocantins. Em 1963 eclodiu um movimento semelhante entre os canelas do sul do Maranhão, falantes da mesma língua timbira e com a mesma orientação cultural. Apesar do intervalo de doze anos entre essas manifestações, elas vieram a cair no conhecimento dos etnólogos e outros não índios no mesmo ano de 1963. No caso canela, o etnólogo William Crocker veio a saber dele imediatamente após sua repressão, pois chegava para realizar mais uma etapa de pesquisa de campo. Também os brancos das vizinhanças da terra indígena logo sentiram que algo diferente estava acontecendo quando acometidos por uma intensificação da captura de gado que os levou ao confronto com os índios
MELATTI, Julio CezarNos seus dois séculos de contato com os brancos, os Krahô têm vivido reviravoltas e inversões de situação: ora aliados dos fazendeiros, ora por estes massacrados em 1940; nos anos 50 seguiram um profeta que prometia transformá-los em civilizados e em 1986 empenharam-se em uma reivindicação que implicava justamente no oposto, na sua afirmação étnica: foram em 1986 ao Museu Paulista, em busca da recuperação do machado semilunar, caro a suas tradições. Assíduos viajantes às grandes cidades, cujas ruas e autoridades conhecem melhor que os sertanejos que os cercam, com freqüência telefonam a seus esquivos amigos urbanos a pedir miçangas, tecidos e reses para abate, indispensáveis à execução de seus ritos
LAZARIN, Marco Antônio