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O livro apresenta um panorama das coleções plumárias do acervo do MAE-USP, analisando o histórico de sua constituição, a elaboração e contextos de uso de artefatos plumários entre os indígenas e sua comunicação em exposições de divulgação científica. O sentido da arte plumária para seus produtores é o de pôr em comunicação os homens com o cosmos; sua beleza se realiza no contexto da festa e do rito. Apreciar este rico acervo, imobilizado e em conjunto, permite contrastá-lo e perceber as mudanças de estilos e finalidades e as transformações da própria sociedade indígena quando em contato com outras etnias ou com o branco. Dispostos assim no tempo, esses artefatos nos fazem ver que os índios têm história e que ela foi sempre a história do contato
DORTA, Sonia FerraroEdição de um trabalho de geografia apresentado como tese de livre docência em meados da década de 1960. Fruto de uma expressiva pesquisa histórica, o livro documenta o lugar das populações indígenas na organização do espaço colonial em São Paulo, com destaque para o século XVIII
PETRONE, PasqualeAs alternativas dos vencidos mostra como uma parcela do povo Terena, transferida para o Estado de São Paulo, luta para se reproduzir como força de trabalho e como comunidade indígena. Indo além das concepções étnicas, Edgar de Assis Carvalho retrata a situação dos moradores do Porto Indígena Araribá, fazendo intervir na análise a especificidade das relações de trabalho
CARVALHO, Edgard de AssisFruto de extensa pesquisa de campo realizada na Itália e no Brasil, Italianos no Mundo Rural Paulista tem como tema o processo de fixação de um grupo de imigrantes, após a Segunda Grande Guerra, em uma comunidade rigidamente planificada. O autor assistiu à gestação de um villaggio italiano em pleno interior paulista e acompanhou a experiência de grupos e indivíduos à procura de nova pátria, construindo novos projetos de vida
PEREIRA, João Baptista BorgesColocando no centro do palco as populações indígenas e o contato diferenciado que mantinham com colonos e jesuítas, o historiador John Monteiro reinterpreta criticamente a formação da sociedade paulista entre os séculos XVI e XVIII; Com uma economia voltada prioritariamente para a arregimentação de mão-de-obra nativa e oscilando entre a abundância e a escassez de índios - os "Negros da Terra" -, os paulistas tiveram constantemente de redimensionar as suas atividades. Dessa forma, a busca de metais preciosos, a expansão do gado e o contínuo crescimento da produção agrícola, aumentando a demanda de mão-de-obra, vinculam de modo irreversível a formação econômica e social paulista à dizimação das sociedades indígenas e a uma dinâmica interna de cunho eminentemente escravista; Realizado a partir de uma ampla pesquisa documental em arquivos da Europa e do Brasil, este livro é o resultado de mais de uma década de estudos. Sua linguagem fluente e a perspicácia interpretativa do autor recomendam-no a todos aqueles que se interessam pela história social brasileira
MONTEIRO, John ManuelNum duplo exercício de crítica documental e de estudo toponímico, o autor busca identificar as populações indígenas em termos sociolingüisticos, objeto de longas polêmicas na história de São Paulo
PREZIA, BeneditoA partir de documentos do Serviço de Proteção aos Índios, o trabalho avalia o processo de constituição de uma área indígena no atual Mato Grosso do Sul
BEZERRA, Marcos OtávioO português de nascimento e brasileiro por adoção Augusto Emílio Zaluar, foi um trabalhador incansável. Autor, tradutor, poeta, romancista, jornalista, possuia talento múltiplo e vivacidade de estilo. O viajante Zaluar, homem de sensibilidade poética, redigiu suas Peregrinações no mesmo diapasão. Numa época em que os viajantes estrangeiros, em especial Saint-Hilaire, já haviam percorrido, há quase um século, os mesmos lugares, Zaluar nos oferece uma visão social, um retrato psicológico das personalidades em evidência e aspectos outros da realidade com graça no estilo e vivacidade na movimentação, conservando para o futuro dados preciosos. É, pois, de leitura sumamente valiosa este volume, às vezes ingênuo, mas sempre pitoresco. Sem maiores pretensões científicas, obra de jornalista inteligente, constituído de genuínas reportagens, cumpriu o livro o vaticínio de Machado de Assis de que "o talento obriga e não se esquece nunca de que tem uma missão a se desempenhar
ZALUAR, Augusto EmílioOs quatro museus que integram a Universidade de São Paulo respondem à questão que dá título ao livro, por meio do exame de seus acervos e de sua história. Sobre o patrimônio natural, o Museu de Zoologia chama a atenção para a biodiversidade tropical, com sua extensa coleção dedicada à fauna brasileira. Sobre o patrimônio criado pelo homem, o Museu de Arqueologia e Etnologia apresenta testemunhos materiais pertencentes desde às mais antigas populações que ocupam o território até as culturas indígenas da época pós-cabralina. Num âmbito temporal mais restrito, o Museu Paulista reflete sobre o universo do trabalho, a partir de objetos e ferramentas de uso cotidiano, utilizados da Colônia ao início do século XX. Finalmente, o Museu de Arte Contemporânea faz um exame dos principais artistas de seu importante acervo e do significado das tendências que representam na arte brasileira recente
ABREU, Adilson Avansi deSaint-Hilaire, célebre botânico francês, realizou viagens ao Brasil de 1816 a 1822. Dessas viagens nos legou importantes relatos, todos feitos com o maior rigor científico. Afonso E. Taunay esreve que eles representam "valioso contingente de informes sobre a mais importante região brasileira a que se estende entre as duas maiores cidades do país." Ainda segundo Taunay, o nosso público amante dos assuntos nacionais apreciará realmente este relato probo e elevado, saído da pena do grande viajante a cuja memória devem os brasileiros muitos motivos de verdadeira gratidão
SAINT-HILAIRE, Auguste deAinda que não tenham sido todos escritos para um mesmo tipo de leitor —uns são dirigidos a particulares, outros ao Serviço de Proteção aos Índios e ainda alguns talvez redigidos para fins de publicação — os textos, de um estilo vivo, espontâneo, cheio da energia de um homem empenhado na defesa das sociedades que estudava; Desses relatórios, aquele cuja leitura se faz, provavelmente, com mais interesse é o referente a "Os Índios Parintintin do rio Madeira", onde Nimuendajú narra as atividades da frente de atração do SPI, dirigida por ele, que, finalmente, entrou em contato amistoso com aqueles índios. Essa atração serviu de motivo ao romance O instinto supremo, de Ferreira de Castro. O famoso autor de A selva, que trabalhara na sua juventude num seringal do rio Madeira, e que partilhara, com os patrões, gerentes e seringueiros da região, do temor e talvez do ódio aos Parintintin, ao escrever aquele romance, prometido a Rondon, baseou-se, entre outras fontes, no relatório de Nimuendajú
NIMUENDAJÚ, Curt (1883-1945)Saint-Hilaire, com sua sólida formação científico humanística, viu o que muitos não viram, e retificou o que muitos deturparam. Por isso sua obra é de capital importância. Nada lhe escapa; a comida, os amuletos, o sincretismo religioso, a vocação histórica de tipos variados como o do mineiro, o do paulista, o do gaúcho, a diferença entre o homem do litoral e o do sertão. Foram anos agitados os que aqui permaneceu Saint-Hilaire; a elevação da colônia a Reino Unido, o regresso de D. João VI, a regência de Dom Pedro, a independência. Nesta obra vamos rever São Paulo e conhecer-lhe, em detalhes, a História, a formação étnica, a Geografia, os usos e costumes, a fauna e a flora, sempre naquele estilo agradabilíssimo, modelo de associação entre ciência e arte de escrever
SAINT-HILAIRE, Auguste de