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O livro organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger vem suprir e atualizar uma importante lacuna na etnologia brasileira contemporânea: os povos do Alto Xingu, objetos de estudos realizados desde as expedições de Karl Von de Steinem, em 1884, até as etnografias acumuladas, particularmente, nas décadas de 1960 e 1970, logo após a criação, em 1961, do Parque Nacional do Xingu. Esses povos têm, entretanto, estado ausentes de uma discussão etnográfica e de políticas indigenistas atuais, principalmente, tendo em vista o importante processo de transformações que tem ocorrido no Parque durante a última década, com a retirada progressiva da Funai da prestação de serviços assistenciais às suas comunidades, que vêm se reorganizando para fazer face às novas formas de relação com a sociedade nacional que hoje se lhes apresentam
Sans titreMarshall Sahlins ao discutir sobre a morte e a divinização do capitão James Cook, no Havaí, em 1779, afirma que a deificação de Cook foi construída a partir das relações entre a cosmologia havaiana e a própria história do navegador britânico, contrariamente às afirmações de Gananath Obeyesekere, para quem os havaianos eram por demais racionais para considerar Cook como um de seus próprios deuses. Marshall Sahlins atribui ao seu contendor a negação da particularidade cultural havaiana, privando os nativos de uma racionalidade prática universal, que acaba por transformar ilhéus setecentistas em europeus modernos
Sans titreDistante de um olhar que ressalta o exotismo da cultura Yanomami, este livro ajuda a consolidar um debate público em relação à miséria e aos graves problemas de saúde que vêm dizimando os povos indígenas após contato com garimpeiros e madeireiros. Mais do que um documento e um testemunho de suas expedições na Amazônia, Valdir Cruz, com apurada técnica, apresenta fotografias tão maravilhosas quanto trágicas. Além de vistas gerais das aldeias e retratos admiráveis de índios iluminados por focos de luzes que penetram entre as árvores, Faces da floresta inclui fotos que não são exatamente belas, com registros de uma degradação que dificilmente integraria calendários ou cartões postais.
Sans titreA imprensa periódica no Brasil existe há quase duzentos anos e sua trajetória acompanha e influencia a vida pública do país. Este livro percorre um século XIX ampliado, que começa em 1808 e se estende até princípios do século XX, com ênfase na década de 1820, que assistiu aos movimentos iniciais dos veículos impressos.Os autores destacam o surgimento da opinião pública, os principais periódicos, bem como suas formas de circulação, recepção e os pontos de contato com a literatura e com a história da imagem (caricatura e fotojornalismo)
Sans titreUma vasta bibliografia e uma análise minuciosa dos fatos históricos sustentam a obra, com o apoio, também, de pesquisas antropológicas
Sans titreA primeira vista, trata-se de uma etnografia nos moldes clássicos sobre os Parakanã, povo tupi-guarani que vive entre os rios Xingu e Tocantins. No entanto, como as boas monografias clássicas, o alcance do livro vai muito além da descrição do objeto em si e traz aportes para a abordagem antropológica dos processos históricos vivenciados por sociedades indígenas. Ao se defrontar com o desafio de explicar porque dois ramos dos Parakanã – de origem comum porém cindidos no final do século XIX em decorrência de uma "briga por mulheres" – apresentavam, na época do contato (década de 1970), formas sociais "significativamente distintas", o autor procura "mostrar como as transformações foram produto da intersecção de determinações internas e externas, interesecção que se deu em situações históricas particulares, conformando e sendo conformada pela ação dos agentes". Transitando entre estrutura e processo, esta etnografia apresenta uma sofisticada apreciação das "formas na história" e da "história das formas", manejando com destreza documentos históricos, narrativas indígenas, observações pessoais e uma extensa bibliografia etnológica
Sans titreEsta obra do professor Alceu Antonio Werlang é uma boa contribuição para o entendimento do processo de colonização do oeste catarinense. Mesmo que a pesquisa tenha sido realizada há mais de uma década, mantém seu significado e importância e, felizmente, é disponibilizada aos profissionais da área e ao público em geral. Sem deixar de lado as exigências acadêmicas, o autor constrói um texto agradável e de fácil compreensão, o que se constitui grande mérito
Sans titreOs Diários de "Joaquim Nabuco" (1873-1910) permanecem inéditos durante quase um século, carinhosamente preservados pelos seus filhos e atualmente pelos seus netos e bisnetos. O manuscrito consiste em cerca de 30 agendas, mas contém também folhas soltas. Este volume único traz os períodos: 1873 - 1910, iniciando pela viagem de Nabuco a Europa e finalizando no período Abolicionista; começando pelo Ostracismo e se encerrando no período diplomático
Sans titreExamina a política pública para as estruturas territoriais do país. O autor estuda a geopolítica portuguesa no Brasil, estratégias de ocupação e domínio adotadas e o quadro territorial e político no contexto da Independência, examinando desde as revoltas provincianas (Cabanagem, Sabinada, Farroupilha) até a consolidação do Estado Nacional
Sans titreOs historiadores, como muitos outros praticantes das disciplinas sociais e humanas preocupam-se com a questão da textualidade. Parecem-lhes pertinentes, em especial, as estruturas narrativas e a noção de sentido ou significação. Este manual quer preencher as lacunas nessa área da formação em História. Cada capítulo dedica-se à apresentação detalhada e à explicação passo a passo de exemplos de uso, para os fins de pesquisa histórica, de métodos que permitam abordar com proveito as questões atinentes à narrativa e ao sentido de textos escritos e filmes
Sans titreMarcus Alexandre analisa a vida e obra de José de Anchieta, a saga do padre missionário e sua importância no contexto histórico brasileiro. Mostra a difícil tarefa de delinear a fronteira entre a ficção e a história
Sans titreTrabalho fundamentado na tese de doutorado da autora da relação entre o Museo Missionario Etnologico Colle Don Bosco e a aldeia Bororo de Meruri
Sans titreEsse é o grande mérito do belíssimo trabalho que a antropóloga Betty Mindlin vem desenvolvendo entre os Suruí de Rondônia, Os Tupari deste livro e quiça junto a muitos outros grupos antes que se perca por completo a memória multissecular de histórias como estas: apanhar o mito vivo, na sua grandeza simples sem a solenidade do monumento mais impregnado de um pathos que só quando narrado possui."
Sans titreEl texto completo de la lección inaugural dicta por Claude Lévi-Strauss en el Collage de France el 5 de enero de 1960 al hacerse cargo de la cátedra de antropología social
Sans titreHabitantes seculares das margens do rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, os Karajá têm uma longa convivência com a Sociedade Nacional, o que, no entanto, não os impediu de manter costumes tradicionais do grupo como: a língua nativa, as bonecas de cerâmica, as pescarias familiares, os rituais como a Festa de Aruanã e da Casa Grande (Hetohoky), os enfeites plumários, a cestaria e artesanato em madeira e as pinturas corporais, como os característicos dois círculos na face. Ao mesmo tempo, buscam a convivência temporária nas cidades para adquirir meios de reivindicar seus direitos territoriais, o acesso à saúde, educação bilingüe, entre outros
Sans titreO livro oferece importante contribuição para o entendimento do universo dos Guarani-Mbyá, índios que começaram a adquirir maior visibilidade pelas lutas que travam para assegurar pequenas áreas de terra que lhes permitam manter, pelo menos, parte do seu modo de vida. O autor mostra com maestria a dignidade desses índios, destacando sua visão de mundo, sua cosmologia e suas representações étnicas
Sans titreImportante coletânea traz 15 estudos sobre história, organização social, cosmologia e natureza, enfocando várias sociedades indígenas na Amazônia. Na parte sobre "História e Historicidade", destacam-se os trabalhos de Terence Turner sobre a relação entre história e cosmologia entre os Kayapó, de Bruna Franchetto sobre os discursos cerimoniais dos Kuikuro e de Rafael Menezes Bastos sobre a relação entre música e história entre os Kamayurá. Os textos ilustram de forma representativa algumas das tendências atuais da antropologia histórica
Sans titreNova tradução da crônica da expedição comandada por Pedro Teixeira entre 1637 e 1639, escrita por um dos jesuítas que acompanharam a viagem de regresso, de Quito à boca do Amazonas. Encomendado pela coroa espanhola, o relato apresenta detalhes sobre as populações indígenas abordadas na viagem e sobre as atividades de apresamento conduzidas pelos portugueses de Belém e São Luís. A boa introdução assinada pela historiadora Maria Yedda Leite Linhares fornece o contexto para a leitura deste notável relato
Sans titreEste relato antropológico apresenta as impressões de Nathan Wachtel como pesquisador ao retornar a uma aldeia de índios urus, no altiplano boliviano, após vários anos de afastamento. É um momento de grave crise na aldeia, decorrente das mudanças radicais introduzidas em suas instituições e costumes, entre elas, a adesão de parcela significativa dos habitantes ao catolicismo e às religiões evangélicas e pentecostais. A ruptura dos laços tradicionais, criados e mantidos pela estrutura coletiva dual da religião pagã, interrompe práticas seculares e desestrutura o coletivo. Wachtel mostra como nesse contexto de desestruturação renascem personagens de um universo imaginário arcaico e fantástico, identificados com vampiros, aqueles que sugam o sangue com propósitos diabólicos e misteriosos
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