Ao longo do século XVI os colonizadores europeus se horrorizaram com um fenômeno religioso entre os tupis, a que chamaram santidade. Nela, em meio a danças, transes, cânticos e À fumaça inebriante do tabaco, os índios renovavam a peregrinação À Terra sem Mal - lugar mítico da felicidade eterna que buscavam no mundo terreno. Vasculhando documentação inquisitorial inédita sobre o culto indígena na fazenda de Jaguaripe (Bahia), Ronaldo Vainfas descobre na santidade uma idolatria insurgente, culturalmente híbrida, que ao mesmo tempo negava e incorporava valores da dominação colonial. Por meio de um texto apaixonado e instigante, o autor lança luz sobre uma nova e reveladora faceta da conquista da América portuguesa
VAINFAS, RonaldoSão Paulo
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O livro conta a história de dois alimentos que os Kaxinawá cultivam em seus roçados: o milho e a batata doce
Camargo, Eliane (Organizadora)Reunião dos últimos escritos de Clastres, interrompidos por sua morte prematura em 1977, num acidente de carro. Estes ensaios de antropologia política, escritos com extrema liberdade, reformulam a idéia de dominação nas sociedades ditas primitivas e fundamentam-se na teoria da servidão voluntária de La Boétie para realizar uma crítica incisiva da violência na sociedade ocidental. O autor define etnocídio, critica a antropologia marxista, antecipa a denúncia do massacre dos Yanomami na Amazônia e retoma a discussão sobre a origem do poder nas sociedades indígenas da América do Sul. Assim, sua etnologia eleva-se à esfera da filosofia política: o autor surpreende e encanta, evocando Conrad e Montesquieu, relatos de viagem, a mitologia americana, Freud, Hobbes e Rousseau, em doze ensaios de prosa refinada, erudita e coloquial. Seu pensamento avança para muito além do heroísmo, da utopia e da ingenuidade, carregando os signos de um momento muito peculiar da cultura cívica libertária (anti-stalinista e pós-marxista). Do mesmo autor, nesta editora, veja A Sociedade contra o Estado
CLASTRES, PierreEste relato antropológico apresenta as impressões de Nathan Wachtel como pesquisador ao retornar a uma aldeia de índios urus, no altiplano boliviano, após vários anos de afastamento. É um momento de grave crise na aldeia, decorrente das mudanças radicais introduzidas em suas instituições e costumes, entre elas, a adesão de parcela significativa dos habitantes ao catolicismo e às religiões evangélicas e pentecostais. A ruptura dos laços tradicionais, criados e mantidos pela estrutura coletiva dual da religião pagã, interrompe práticas seculares e desestrutura o coletivo. Wachtel mostra como nesse contexto de desestruturação renascem personagens de um universo imaginário arcaico e fantástico, identificados com vampiros, aqueles que sugam o sangue com propósitos diabólicos e misteriosos
WACHTEL, NathanDo Mel às Cinzas, de Claude Lévi-Strauss, é o segundo volume da série Mitológicas, originalmente iniciada em 1964, que está sendo traduzida para o português pela editora – o primeiro volume foi O Cru e o Cozido. Como o próprio nome já diz, a série discorre sobre os mitos do “pensamento; selvagem”. Lévi-Strauss aqui opta por analisar os mitos dos indígenas da América levando em conta as características intrínsecas à cultura deles, não querendo transpô-las ao pensamento antropológico já determinado. Nesse volume ele caminha da cultura dos povos em direção à natureza, contrastando dois elementos: o mel e o tabaco
LÉVI-STRAUSS, ClaudeTrata-se dos relatos da viagem empreendida por Theodor Koch-Grunberg; pela região Norte do Brasil e Venezuela, no período de 1911 a 1913. O autor faz,; sobretudo, um levantamento etnográfico e lingüístico dos povos indígenas da região;; transcreve também suas lendas e mitos de origem, que mais tarde inspiraram Mário de; Andrade na redação de Macunaíma; A floresta e os povos amazônicos, ao alvorecer do século XX, impõem um monumental; desafio a todos que os investigam. Theodor Koch-Grünberg não enfrenta propriamente um; tema, mas um mundo, caleidoscópico e complexo, que apenas suas extraordinárias aptidões; o tornarão capaz de abordar. O explorador, em seu sentido mais amplo, que se aventura; numa saga apaixonante pelo Brasil setentrional, emprega todo seu espectro de talentos; para gerar uma obra ímpar em que as seminais interpretações etnológicas e; antropológicas são entrelaçadas a registros lingüísticos, botânicos, zoológicos e; iconográficos. O feito de Koch-Grünberg assumiu a dimensão de um triunfo clássico da; erudição etnológica e, paralelamente, estabeleceu peça básica da agenda intelectual de; nomes como Mário de Andrade. Esta viagem memorável constrói, afinal, marco vigoroso no; percurso, também sinuoso e multifacetado, de constituição da imagem e da auto-imagem do; Brasil
KOCH-GRÜNBERG, TheodorA autora reúne e comenta numa excelente introdução várias narrativas de índios de diferentes grupos étnicos residentes no Parque Indígena do Xingu. Além de versões de mitos que se entrelaçam com memórias históricas, são de particular interesse as reconstituições das origens do contato e do estabelecimento do Parque
FERREIRA, Mariana K. LealExcelente coletânea com 18 estudos originais sobre diversos aspectos das expedições para o alto Xingu, comandadas por von den Steinen em 1884 e 1887. Um belo trabalho editorial, o livro é amplamente ilustrado com imagens atuais e da época das expedições, trazendo ainda uma reprodução em tamanho original do mapa da expedição de 1887, publicada em Berlim em 1893
COELHO, Vera PenteadoEste livro apresenta 24 lendas indígenas, selecionadas e interpretadas pelo pintor-contador de histórias WaldeMar de Andrade e Silva. Ilustrado com 25 obras desse grande artista, o livro é fruto de sua convivência de oito anos com as principais tribos do Xingu. De um lado, a obra mostra a riqueza de detalhes e as cores vibrantes da pintura naturalista, do outro, um texto revelador da sensibilidade desse ´aluno do índio e da natureza´
SILVA, Waldemar de Andrade eMakunaíma e Jurupari: Cosmogonias Ameríndias, organizado por Sérgio Medeiros, reúne num conjunto duas das mais relevantes coletâneas de contos indígenas em esmeradas traduções, com ensaios atuais sobre o valor estético e antropológico de ambos. A sua publicação pela coleção Textos da Editora Perspectiva vem preencher a lacuna que existia em nossa bibliografia especializada, nesse assunto. De fato, uma das racoltas constitui provavelmente a primeira tradução integral para o português do texto de Stradelli, e a outra repõe em circulação as aventuras de Makunaíma, na versão que inspirou a Mário de Andrade a composição de seu famoso "herói sem nenhum caráter". Com isso, dois monumentos da literatura indígena do Brasil estarão ao alcance do leitor e do estudioso, numa edição que estimulará a comparação das ações de Makunaíma com as de Jurupari, dois dos maiores heróis da tradição oral latino-americana
MEDEIROS, Sérgio(org.)Descreve e analisa o rito Me-rê-rê-mê entre os índios Xikrin do Caeteté
VIDAL, LuxAs observações e relatos de viagem do etnologista e explorador alemão, que passou diversas vezes pelo Brasil a partir de 1896, é uma importante fonte para estudo dos mitos e lendas da Amazônia. Neste livro, ele transcreve o mito de Makunaíma, que inspirou o clássico modernista de Mário de Andrade
KOCH-GRÜNBERG, TheodorDiscorre sobre a ocupação Guarani Mbiá no litoral do Brasil e adjacências com base na importAncia social e religiosa que este complexo territorial representa para o grupo. Realça o conteúdo crítido da idéia que os Mbiá tem de si mesmo e do mundo em que vivem
LADEIRA, Maria InêsEste clássico do pai da antropologia reúne narrativas de povos sul-americanos diversos, apresentando a teoria de que os mitos ameríndios formam uma estrutura de pensamento
LÉVI-STRAUSS, ClaudeOs índios Ticuna, do Alto Solimões, Amazonas, formam o mais numeroso grupo indígena do país, com cerca de 18.000 membros. Neste livro, o autor examina a mudança social e o processo de dominação vividos pelos Ticunas, vistos também a partir da ótica dos próprios índios. Analisa, assim, como um grupo étnico com elementos vivos e atuantes de sua própria organização social e de sua cosmologia, se adapta, resiste e reinterpreta a ação do Estado. Trata-se de uma análise convencional na linha estruturalista enfocando uma tribo isolada e em condições de suposto equilíbrio, mas sim de um estudo sobre as relações entre um grupo indígena e o Estado brasileiro, representado pelo órgão oficial de assistência ( o SPI e depois a FUNAI ) que ilumina de maneira exemplar a questão indígena na Amazônia atual
OLIVEIRA, João Pacheco deAborda as situaçOes étnicas Tremembé do litoral oeste do Ceará. Discute e analisa a emergência de fronteiras étnicas e de construção da etnicidade entre os Tremembé
VALLE, Claúdia Netto doEsse é o grande mérito do belíssimo trabalho que a antropóloga Betty Mindlin vem desenvolvendo entre os Suruí de Rondônia, Os Tupari deste livro e quiça junto a muitos outros grupos antes que se perca por completo a memória multissecular de histórias como estas: apanhar o mito vivo, na sua grandeza simples sem a solenidade do monumento mais impregnado de um pathos que só quando narrado possui."
MINDLIN, BettyEssencialmente uma etnografia deste grupo indígena, o livro contém uma parte muito interessante sobre a história do grupo, traçando suas origens aos tempos das missões quando foram aldeados em Rodelas
SILVA, Orlando SampaioPara Mindlin, a vida dos Suruí Paiter mudou consideravelmente desde sua chegada à aldeia, há quase 30 anos, levada por Apoena Meirelles. "Hoje, são cidadãos brasileiros, inseridos no mercado, nas escolas, na cidade, votam, são candidatos, usam computadores e Internet, organizam-se em associações, têm muitos interesses, enfim, além dos que prevaleciam em 1980". A antropóloga acredita que apesar das mudanças, os mitos, contados por líderes mais velhos e pajés, ainda estão bem vivos para os Suruí, mas seria preciso fazer uma pesquisa para saber quem tem conhecimento da tradição
MINDLIN, Betty