No início de 1914, o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt e o então coronel Cândido Rondon dividiram o comando de uma expedição singular, cujo principal objetivo era mapear o misterioso rio da Dúvida (hoje rio Rooosevelt), no coração da selva brasileira. Sem saber para onde as turbulentas águas do rio os conduziram, os homens da expedição enfrentaram fome, insetos vorazes, doenças tropicais e índios agressivos, além de dissensões em suas próprias fileiras. Três deles morreram e um foi abandonado à própria sorte na floresta. O próprio Roosevelt contraiu uma infecção num ferimento e ficou à beira da morte. O rio da Dúvida reconstitui em minúcia o dia-a-dia dessa inacreditável aventura, na qual afloram não apenas o embate do homem com a natureza hostil, mas também as diferenças culturais entre norte-americanos e brasileiros, e o choque de personalidades de dois homens "maiores que a vida" Roosevelt e Rondon
MILLARD, CandiceSão Paulo
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O renascer do povo Tapirapé narra os primórdios de uma das experiências mais marcantes da história recente da Pastoral Indigenista no Brasil; Sem construir conventos, vivendo discretamente o dia-a-dia numa aldeia no Mato Grosso, as Irmãzinhas de Jesus, discípulas de Charles de Foucauld, realizaram um trabalho pioneiro; Abriram pistas para a Igreja missionária que desejava se renovar e também contribuíram para a etnologia brasileira, registrando o ressurgimento de um povo fadado à extinção
IRMÃZINHAS de JesusFolheto apresentando as brincadeiras realizadas por crianças indígenas Guarani
GRUPIONI, Luis Donisete BenziO século XIX e a França são os dois marcos do positivismo, nome com que foi batizado o pensamento filosófico de Augusto Comte-, que pregava a implantação de um Estado, autoritário como a única via para o desenvolvimento de uma sociedade e para a construção de uma ordem social harmônica. Esta pensamento polêmico difundiu-se rapidamente na Europa e logo alcançou o Brasil, onde influenciou decisivamente os pensadores republicanos
RIBEIRO, JoãoO mito há de ser sempre um desafio, uma abertura, um enigma. De sentido múltiplo e difuso, é através dele que as sociedades exprimem suas contradições, dúvidas e inquietações. Quase indefinível, pode designar desde o mito de Édipo até o de Michael Jackson, passando pelo mito da mulher amada ou da eterna juventude. Que “verdade” podemos encontrar nele? Quais suas possíveis origens e interpretações?
ROCHA, Everardo P. GuimaraesSão apresentadas 18 novas monografias resultantes de pesquisas indígenas conduzidas pelos alunos da Escola Municipal Indígena Herieni, com ajuda de seus professores, dos conhecedores locais da história dos antepassados e de várias outras pessoas que contribuíram com o trabalho
Silva, Adeilson Lopes da [et.al.]Histórias com sabor irreverente de seis diferentes povos indígenas do interior do Brasil: os Cinta-Larga (Mato Grosso do Norte), os Jabuti (Rondônia), os Kaiapó (Mato Grosso do Norte e Pará), os Suruí (Rondônia) e os Tremembé de Almofala (Ceará). As narrativas tratam, em geral, de mitos de criação do mundo transmitidos oralmente, de geração para geração
MINDLIN, BettyReúne vários artigos do autor publicados em revistas e coletâneas, com especial enfoque sobre os povos do alto e médio Amazonas nos séculos XVI e XVII. Trabalha de maneira inovadora com problemas de demografia, organização política, atividades comerciais e messianismo. Há também uma discussão importante das fontes para a história indígena na Amazônia
PORRO, AntonioPor que o Brasil ainda não deu certo? Quando chegou ao exílio no Uruguai, em abril de 1964, Darcy Ribeiro queria responder a essa pergunta na forma de um livro-painel sobre a formação do povo brasileiro e sobre as configurações que ele foi tomando ao longo dos séculos. A resposta veio com este que é o seu livro mais ambicioso, fruto de trinta anos de estudo ? uma tentativa de tornar compreensível, por meio de uma explanação histórico-antropológica, como os brasileiros se vieram fazendo a si mesmos para serem o que hoje somos. Uma nova Roma, lavada em sangue negro e sangue índio, destinada a criar uma esplêndida civilização, mestiça e tropical
RIBEIRO, Darcy (1922-1997)Essa obra fundamental de antropologia do 'pai' do estruturalismo, aqui se ocupa minuciosa e objetivamente da etnologia tradicional, focalizando uma característica universal do espírito humano - o pensamento selvagem que se desenvolve no homem, seja no antigo ou no contemporâneo
LÉVI-STRAUSS, ClaudeOs índios Ticuna, do Alto Solimões, Amazonas, formam o mais numeroso grupo indígena do país, com cerca de 18.000 membros. Neste livro, o autor examina a mudança social e o processo de dominação vividos pelos Ticunas, vistos também a partir da ótica dos próprios índios. Analisa, assim, como um grupo étnico com elementos vivos e atuantes de sua própria organização social e de sua cosmologia, se adapta, resiste e reinterpreta a ação do Estado. Trata-se de uma análise convencional na linha estruturalista enfocando uma tribo isolada e em condições de suposto equilíbrio, mas sim de um estudo sobre as relações entre um grupo indígena e o Estado brasileiro, representado pelo órgão oficial de assistência ( o SPI e depois a FUNAI ) que ilumina de maneira exemplar a questão indígena na Amazônia atual
OLIVEIRA, João Pacheco deOficializada pela FUNAI, em 1988, a comunidade Yaminawa, da Terra Indígena Cabeceiras do Rio Acre,; no município de Assis Brasil, constitui a principal referência deste livro. Trata-se de um estudo situado na confluência da História com a Antropologia, cujo objetivo é expor uma rotina descritiva que não isole história e estrutura. É a história de uma pequeno grupo humano, que incorpora a visão de seus herdeiros e seu papel na vida social - um ser, um ver e um fazer entretecidos. Na contracorrente de estudos bem delimitados, com estrutura canônica e conclusões bem assentadas, o conteúdo desta obra se aproxima de um conjunto de obstinadas variações sobre os mesmos temas, que reproduz, em certa medida, o seu próprio processo de elaboração. Sob tal foco, o autor escreve uma outra história dos Yaminawa, que busca desvendar elementos cruciais da vida desses indígenas do grupo etnolingüístico Pano
Calavia Saez, OscarAnalisa a posição particular da humanidade no universo Wayampi. Enfoca o domínio da pessoa do ponto de vista de seus elementos constitutivos. Descreve as concepçOes relativas à doença e analisa o contágio e a agressão xamanística
GALLOIS, Dominique T. (Dominique Tilkin)Em 1951 ocorreu um movimento messiânico entre os craôs do norte de Goiás, naquela parte que mais tarde viria a ser desmembrada para formar o estado do Tocantins. Em 1963 eclodiu um movimento semelhante entre os canelas do sul do Maranhão, falantes da mesma língua timbira e com a mesma orientação cultural. Apesar do intervalo de doze anos entre essas manifestações, elas vieram a cair no conhecimento dos etnólogos e outros não índios no mesmo ano de 1963. No caso canela, o etnólogo William Crocker veio a saber dele imediatamente após sua repressão, pois chegava para realizar mais uma etapa de pesquisa de campo. Também os brancos das vizinhanças da terra indígena logo sentiram que algo diferente estava acontecendo quando acometidos por uma intensificação da captura de gado que os levou ao confronto com os índios
MELATTI, Julio CezarA série Morená apresenta os mitos de nossos índios em linguagem acessível que conserva o tom mágico e a poesia, com ilustrações inspiradas nas culturas indígenas de onde foram transcritos. Morená significa, para os índios Kamaiurá, a terra mítica onde mora Mavutsinim, o grande criador
FITTIPALDI, CiçaO presente livro reúne um conjunto de saberes e fazeres dos Wayana e dos Apalaí que estão associados à cestaria, mais especificamente, ao arumã, uma planta herbácea de ambientes florestais úmidos da Amazônia
VELTHEM, Lucia Hussak vanO conteúdo deste livro foi discutido e estabelecido com a participação dos Wayana e Aparai durante a realização de oficinas sobre cerâmica nas aldeias Para-Para, Bona e Jolokoman no período compreendido entre 2014 a 2016. Nestas ocasiões, os participantes realizaram ilustrações e documentação fotográfica, assim como produziram textos nas línguas wayana e aparai e, posteriormente, as transcrições e correções. Esta publicação representa, portanto, o fruto de um trabalho coletivo de autores e pesquisadores indígenas que são creditados no início deste livro, cuja finalização coube aos organizadores e incluiu sugestões de Denise Fajardo
LINKE, Iori Leonel van VelthemPublicação que reúne os saberes do povo indígena Galibi Marworno sobre o Lago Maruane
Santos, Davi Felisberto dos (organizador)A região estudada por Peter Rivière localiza-se no nordeste da América do Sul, estendendo-se pelo Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, habitada por diversos povos, como aparais, wayanas, tiriyos, waiwais, uapixanas, makuxis, pemons, akawaios, yekuanas, piaroas e caribes. Partindo da análise da aldeia, entendida como manifestação geográfica e física da ordem, o antropólogo examina-a por meio do método comparativo, buscando inicialmente os traços invariáveis, para investigar as categorias constituintes desse tipo de sociedade, os relacionamentos entre as categorias mais importantes, a estrutura política interna das aldeias, bem como o papel do indivíduo e os problemas de continuidade social. A pesquisa de Rivière contribui para o inventário etnográfico daqueles povos, identificando os elementos essenciais de sua organização social e acompanhando suas transformações
RIVIÈRE, PeterEste trabalho é uma tentativa de expor a um público mais amplo a trágica história do primitivo habitante do Brasil e de sua marginalização progressiva, histórica, geográfica e cultural. Fala sobre a dívida que o povo brasileiro tem para com os povos que aqui viveram, sendo um convite para meditar sobre a questão indígena
RIBEIRO, Berta G (1899-1958)Com a coordenação de Maria Lígia Prado e Maria Helena Capelato, pesquisadores experientes analisam os mais importantes tópicos para o estudo da história nacional. Neste volume: Num texto polêmico, Luiz Koshiba examina o embate entre a cultura indígena e a européia e propõe uma categoria de análise mais adequada para o estudo das sociedades tribais. Com uma argumentação envolvente, o autor demonstra como os colonizadores portugueses acabaram por submeter guerreiros tupi-guaranis, transformando-os em trabalhadores
KOSHIBA, LuizEstuda as condiçOes históricas que permitiram a fundação do SPI
GAGLIARDI, José MauroEste livro estuda as condições históricas que permitiram a fundação do serviço de proteção aos índios e mostra como o desenvolvimento capitalista no Brasil, sobretudo no ultimo quartel do século XIX, acirrou a luta armada que envolvia a sociedade dominante e os grupos indígenas
GAGLIARDI, José MauroO vôo livre e o canto dos pássaros, o verde da floresta, a imensidão das águas dos rios, a diversidade da flora e da fauna, as populações ribeirinhas, assim como o grande número de tribos que habitam ou habitaram a região, fazem da Amazônia uma parte muito especial de nosso país; região cheia de segredos, encantos e riquezas incalculáveis. Esse é o cenário onde nasceram e circulam as histórias aqui reunidas. Elas foram selecioandas com base em um cuidadoso levantamento do fecundo folclore que faz parte do patrimônio oral dos povos da floresta.No passado, Monteiro Lobato escreveu fábulas, valendo-se de histórias estrangeiras e dando-lhes roupagens nacionais. Agora, a escritora Vera do Val brinda os jovens leitores brasileiros ao produzir um livro em que lapida lendas inteiramente nacionais. Elas podem ser agrupadas em três tipos, da seguinte forma: umas são referentes à criação, outras às relações entre homens, animais e natureza e, diferenciando-se das duas primeiras, há as que se voltam para a explicação da origem de diferentes povos
VAL, Vera doNa primeira metade do século XVII, Portugal ainda dependia politicamente da Espanha, fato que, se por um lado exasperava os sentimentos patrióticos de um frei Antão, como mostrou Gonçalves Dias, por outro lado a ele se acomodavam os conservadoristas e os portugueses de pouco brio. D. Antônio de Mariz, fidalgo dos mais insignes da nobreza de Portugal, leva adiante no Brasil uma colonização dentro mais rigoroso espírito de obediência à sua pátria. Representa, com sua casa-forte, elevada na Serra dos Órgãos, um baluarte na Colônia, a desafiar o poderio espanhol. Sua casa-forte, às margens do Pequequer, afluente do Paraíba, é abrigo de ilustres portugueses, afinados no mesmo espírito patriótico e colonizador, mas acolhe inicialmente, com ingênua cordialidade, bandos de mercenários, homens sedentos de ouro e prata, como o aventureiro Loredano, ex-padre que assassinara um homem desarmado, a troco do mapa das famosas minas de prata. Dentro da respeitável casa de D. Antônio de Mariz, Loredano vai pacientemente urdindo seu plano de destruição de toda a família e dos agregados. Em seus planos, contudo, está o rapto da bela Cecília, filha de D. Antônio, mas que é constantemente vigiada por um índio forte e corajoso, Peri, que em recompensa por tê-la salvo certa vez de uma avalancha de pedras, recebeu a mais alta gratidão de D. Antônio e mesmo o afeto espontâneo da moça, que o trata como a um irmão. A narrativa inicia seus momentos épicos logo após o incidente em que Diogo, filho de D. Antônio, inadvertidamente, mata uma indiazinha aimoré, durante uma caçada. Indignados, os aimorés procuram vingança: surpreendidos por Peri, enquanto espreitavam o banho de Ceci, para logo após assassiná-la, dois aimorés caem transpassados por certeiras flechas; o fato é relatado à tribo aimoré por uma índia que conseguira ver o ocorrido. A luta que se irá travar não diminui a ambição de Loredano, que continua a tramar a destruição de todos os que não o acompanhem. Pela bravura demonstrada do homem português, têm importância ainda dois personagens: Álvaro, jovem enamorado de Ceci e não retribuído nesse amor, senão numa fraterna simpatia; Aires Gomes, espécie de comandante de armas, leal defensor da casa de D. Antônio. Durante todos os momentos da luta, Peri, vigilante, não descura dos passos de Loredano, frustrando todas suas tentativas de traição ou de rapto de Ceci. Muito mais numerosos, os aimorés vão ganhando a luta passo a passo. Num momento, dos mais heróicos por sinal, Peri, conhecendo que estavam quase perdidos, tenta uma solução tipicamente indígena: tomando veneno, pois sabe que os aimorés são antropófagos, desce a montanha e vai lutar "in loco" contra os aimorés: sabe que, morrendo, seria sua carne devorada pelos antropófagos e aí estaria a salvação da casa de D. Antônio: eles morreriam, pois seu organismo já estaria de todo envenenado. Depois de encarniçada luta, onde morreram muitos inimigos, Peri é subjugado e, já sem forças, espera, armado, o sacrifício que lhe irão impingir. Álvaro (a esta altura enamorado de Isabel, irmã adotiva de Cecília) consegue heroicamente salvar Peri. Peri volta e diz a Ceci que havia tomado veneno. Ante o desespero da moça com essa revelação, Peri volta à floresta em busca de um antídoto, espécie de erva que neutraliza o poder letal do veneno. De volta, traz o cadáver de Álvaro morto em combate com os aimorés. Dá-se então o momento trágico da narrativa: Isabel, inconformada com a desgraça ocorrida ao amado, suicida-se sobre seu corpo. Loredano continua agindo. Crendo-se completamente seguro, trama agora a morte de D. Antônio e parte para a ação. Quando menos supõe, é preso e condenado a morrer na fogueira, como traidor. O cerco dos selvagens é cada vez maior. Peri, a pedido do pai de Cecília, se faz cristão, única maneira possível para que D. Antônio concordasse, na fuga dos dois, os únicos que se poderiam salvar. Descendo por uma corda através do abismo, carregando Cecília entorpecida pelo vinho que o pai lhe dera para que dormisse, Peri, consegue afinal chegar ao rio Paquequer. Numa frágil canoa, vai descendo rio abaixo, até que ouve o grande estampido provocado por D. Antônio, que, vendo entrarem os aimorés em sua fortaleza, ateia fogo aos barris de pólvora, destruindo índios e portugueses. Testemunhas únicas do ocorrido, Peri e Ceci caminham agora por uma natureza revolta em águas, enfrentando a fúria dos elementos da tempestade. Cecília acorda e Peri lhe relata o sucedido. Transtornada, a moça se vê sozinha no mundo. Prefere não mais voltar ao Rio de Janeiro, para onde iria. Prefere ficar com Peri, morando nas selvas. A tempestade faz as águas subirem ainda mais. Por segurança, Peri sobe ao alto de uma palmeira, protegendo fielmente a moça. Como as águas fossem subindo perigosamente, Peri, com força descomunal, arranca a palmeira do solo, improvisando uma canoa. O romance termina com a palmeira perdendo-se no horizonte, não sem antes Alencar ter sugerido, nas últimas linhas do romance, uma bela união amorosa, semente de onde brotaria mais tarde a raça brasileira
ALENCAR, José de