Rio de Janeiro
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Hohori: De acordo com os indígenas, os vasos de cerâmica do tipo hohori eram produzidos com tamanhos grandes, médios e pequenos, mais ou menos com um mesmo formato, como uma grande lâmpada. Os pequenos eram utilizados como brinquedos pelas crianças. Os médios eram utilizados para guardar pequenos objetos de decoração corporal, como tintas, urucum e genipapo, etc.
George MagaraiaArnaldo Kulian e Raimundo Kulina testam os vasos de cerâmica para avaliarem qual deles é adequado para ser utilizado como buzina. Os hohori médios eram utilizados, sobretudo, como instrumento musical, uma espécie de buzina tocada nas festas (mariris) em que se aglomeravam pessoas de várias aldeias. Eram tocados pelos visitantes avisando que estavam chegando, mas também durante todo o período da festa. Eram tocados nas ocasiões dos Koiza, Ahie´e, Doshe´entre outras festas tradicionais dos Kulina. O vaso arredondado com a boca mais fechada é associado a um tubo de taboca. O tocador faz vibrar, soprando, o tubo de taboca dentro do vaso e este faz reverberar o som de buzina pelo espaço da aldeia e da mata.
George MagaraiaEduardo Neves, doutor em arqueologia, defende nessa obra que a investigação do passado da Amazônia – que, ao contrário do que se imagina, tem milhares de anos de ocupação humana – pode ajudar no planejamento de um futuro sustentável para a região
Neves, Eduardo GoésOs hohori tanto os utilizados como buzinas nas festas como aqueles utilizados como utensílios domésticos, eram pintados com diversos motivos. Este hohori foi pintado, de acordo com Arnaldo Kulina, com os padrões encontrados em um tipo de arraia do rio, butani na língua kulina.
George MagaraiaTerezinha e sua filha Marina, da aldeia Buaçu, modelam na varanda de casa peças de cerâmica: um hohori e um zipa pequenos.
Coletivo KulinaTsiki/cerâmicas: Raimundo Kulina e os pesquisadores indígenas tomam conhecimento da coleção de cerâmicas kulina recentemente adquiridas pelo Museu do Índio em suas aldeias. Eles explicam que são as mulheres as especialistas em cerâmica. Atualmente, as mulheres kulina raramente produzem peças de cerâmica, tendo substituído os utensílios aneriormente fabricado por elas por utensílios industrializados comprados na cidade ou dos barcos mercadores. Eles explicam que antigamente, faziam vasos de cerâmica grandes chamados hohori (imeni) serviam para guardar água ou outros líquidos. Vasos com outro formato, chamados de zipa, eram utilzados no passado como panelas para cozinhar os alimentos, em especial a banana, a macaxeira e as carnes. Os Kulina observaram que no acervo recentemente adquirido pelo Museu do Índio só constam hohori médios e pequenos e um zipa, prato, pequeno. (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo roroli wanaliniza. Kidetorara.raimodo sapel sowiko bananí).
George MagaraiaZipa bedeni: Raimundo explica que o zipa bedeni, uma espécie de pequeno prato de cerâmica, seria utilizado para o consumo de líquidos, em especial as bebidas de banana e macaxeira servidas nos grandes vasos de cerâmica. Servia também para beber água dos vasos. Como toda cerâmica, é produzido pelas mulheres.
George MagaraiaRaimundo sopra o hohori, o fazendo vibrar, emitindo o som da buzina (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo sapel sowiko bananí karíralí roroliza. rolíroli narali raimodo).
George MagaraiaAs iniciativas de salvaguarda de acervos e de divulgação de trabalhos que visam contribuir para o desenvolvimento e defesa dos interesses dos povos indigenas. Esta opção se insere nas ações de valorização das culturas indigenas, enquanto política de Estado frente à Constituição de 1988. Este trabalho sobre a cerâmica Asurini vem contribuir decisivamente para a reflexão das formas de atuação do Estado junto aos povos indígenas
MÜLLER, Regina Polo