As sociedades indígenas não teriam sobrevivido à dominação colonial — seja ela manifestada por meio das guerras e dos descimentos, dos aldeamentos missionários, da apropriação privada de terras de uso comum, do indigenismo tutelar e do sistema de reservas — se fossem estruturas rígidas e homogêneas, fechadas em si mesmas e mantivessem uma profunda aversão à mudança e a processos estatizantes. É a sua heterogeneidade e complexidade, as contradições que a alimentam, as ambiguidades que instituem e a plasticidade que possuem que lhes propicia um dinamismo constante e regenerador. Resistir ao mundo colonial, no caso, não é manter-se exatamente igual ao que era antes, mas continuar a agir como uma relativa unidade e ser capaz de dar sentido às experiências vividas e transmiti-las à geração futura
MURA, ClaudiaRio de Janeiro
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Raimundo Kulina ajuda a qualificar os cestos paneiriformes kulina. Estes cestos são geralmente confeccionados por homens ou mulheres. Podem ser feitos a partir de dois tipos de cipós: o ambé, chamado em kulina de ‘Topi’, e o timbó, chamado em kulina de ‘Tsahe’. Segundo os indígenas, estes cestos são utilizados por homens e mulheres para o transporte de macaxeira, banana, milho, cará, abacaxi e outros produtos de roçado, bem como para transportar a dormida e roupas em viagens. Antigamente, quando se trabalhava no seringal, usava-se muito o tsahe ou topi para carregar roupas, dormida e as coisas pessoais da pessoa. Além disso, em viagens de canoa, embarca-se a macaxeira e a banana que servirão de rancho para a viagem nos cestos tsahe ou topi. Raimundo Kulina mostrou que em geral os Tsahe ou Topi são carregados através cordas feitas de casca de cipó, penduradas na cabeça, utilizando a força do pescoço e da cabeça para carregar coisas pesadas.
George MagaraiaAponta os principais entraves a esse movimento e às formas de cooperação laboral transnacional. “Existem condições para fazer reviver o internacionalismo operário, sobretudo se enquadradas num movimento mais amplo de solidariedade”, argumenta Boaventura de Sousa Santos. Para ele, a etiquetagem unilateral imposta pela globalização faz o mundo girar segundo interesses financeiros, empilhando homens, territórios, eleições, culturas e até nações inteiras em gôndolas como artigos descartáveis
SANTOS, Boaventura de Sousa (org)Trata-se de um livro difícil de abordar, uma vez que é constituído basicamente por fichamentos de leituras das mais diversas. Escrito por um jurista especializado em direito do trabalho, o texto reúne um vasto repertório de informações, servindo, pela sua organização sistemática, sobretudo como um guia para localizar diferentes assuntos referentes às atividades produtivas e à cultura material dos índios, nas principais fontes descritivas do período colonial
CATHARINO, José MartinsO livro traz a experiência do autor em sua convivência com os Wari’ (ou Pacaás Novos), povo indígena mais numeroso no estado de Rondônia, com cerca de 2.700 indivíduos. Apresenta, em linguagem precisa e agradável, uma abrangente descrição das condições de alimentação e nutrição locais, levando em consideração a especificidade cultural das comunidades amazônicas. A obra demonstra o quão importante é não prescindir de cuidadosa contextualização dos achados no conjunto das práticas nativas e das idéias que as orientam, seja qual for o campo sob investigação
Leite, Maurício SoaresDetalhe do tipo de pupunha utilizado para confecção do arco do hihiti. Zakaria e Komizi souberam dar apenas o nome na língua kulina: kathapare.
Coletivo KulinaLivro construído coletivamente nas oficinas realizadas no âmbito do Projeto de Documentação dos Yawanawá e tem por objetivo disseminar a língua Yawanawá. A publicação também é o primeiro volume da homenagem ao líder Tui Kuru
Publicação do Museu do Índio relatando as atividades do Projeto de Documentação de Culturas referentes as etnias Apalaí e Wayana residentes na aldeia Suisuimënë, mostrando um "ritual de flautas" chamado uwatop tuleh que não era comemorada na localidade há muitos anos
Reedição de alguns trabalhos de Darcy Ribeiro. Somam uma experiência e vivência de campo junto a tribos indígenas, que atravessam o difícil caminho do contato e ajustamento com as frentes de expansão nacional, em seu processo de avanço e conquista de territórios tribais
RIBEIRO, Darcy (1922-1997)Estabelece os contornos do exercício do poder tutelar do Estado Nacional sobre as populaçOes indígenas dispersas pelo território brasileiro
LIMA, Antônio Carlos de SouzaEstabelece os contornos do exercício do poder tutelar do Estado Nacional sobre as populaçOes indígenas dispersas pelo território brasileiro
LIMA, Antônio Carlos de SouzaO artigo propõe algumas reflexões acerca do acervo fílmico do SPI, trazendo à baila elementos de magnitude da coleção
Mello, Rodrigo Piquet Saboia deCatálogo da exposição "Um Novo Mundo, Um Novo Império - A Corte Portuguesa no Brasil"
Museu Histórico NacionalQualificação de mestrado apresentado no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT sobre estudo do acervo imagético dos índios Urubu-Kaapor depositado no Museu do Índio e realizado por Darcy Ribeiro
Mello, Rodrigo Piquet Saboia deCaderno de campo do eminente antropólogo Luiz de Castro Faria. O material desse livro encadeia um arguto depoimento em que a observação minuciosa do cotidiano da expedição de 1938 é enriquecido por uma extraordinária coleção de fotos. A expedição da Serra do Norte contou com a presença ilustre de Claude Lévi-Strauss, naquela época, um jovem pesquisador, professor da Universidade de São Paulo, fato que valoriza ainda mais esse registro
Faria, Luiz de CastroAs conseqüências sociais, econômicas e políticas da devastação das florestas, erosão e esgotamento dos solos, degradação do clima, extinção das espécies animais e vegetais. Pauta do dia? Sim, desde 1786; Muito antes do que se costuma imaginar, já se criticava no Brasil, de forma consistente e criativa, a destruição do meio-ambiente. Nomes como José Bonifácio e Joaquim Nabuco, entre vários outros, dedicaram-se ao debate ambiental e perceberam que a superação das práticas devastadoras passava necessariamente pela implementação de reformas socioeconômicas profundas, que rompessem com o legado do colonialismo: o tripé escravidão-latifúndio-monocultura; Analisando cerca de 150 textos da época, produzidos por mais de 50 autores, Um sopro de destruição reconstitui pela primeira vez, de maneira lúcida e abrangente, a crítica ambiental nos séculos XVIII e XIX, praticamente esquecida na história do pensamento social brasileiro. Um alerta para a questão ambiental no Brasil
PÁDUA, José AugustoLivro infantil que conta a história da relação da criança portuguesa Maria Joaquina Antônia José das Mercês Casemiro Pires com crianças indígenas brasileiras
Aouila, MarceloAutobiográfico e filosófico, o livro Uma jornada no tempo, de Luiz Filipe Tsiipré, relata as experiências vivenciadas pelo autor com povos indígenas – do Brasil e da América. A luta de Tsiipré pela garantia dos direitos dos índios brasileiros, as mensagens recebidas por intermédio de visões espirituais, as mudanças radicais em sua vida: todos esses fatos são narrados com detalhes em Uma jornada no tempo.
TSIIPRÉ, Luiz FilipeJean-Baptiste Debret (1768-1848) viveu quinze anos entre os brasileiros. O produto desta longa permanência - os volumes de sua Viagem pitoresca e histórica ao Brasil - é um convite à viagem pela mente desse artista, viajante por força do destino, filósofo por tradição, historiador por opção. Ao longo do trajeto, o leitor acompanha as histórias de índios, negros e brancos, e com elas a marcha da civilização no Brasil
LIMA, ValériaRaimundo toma conhecimento da única peça de cerâmica kulina já inserida na Reserva Técnica. Trata-se de um hohori oriundo do alto purus, trazido para o acervo na década de 1970 pelo pesquisador Schwade.
George MagaraiaVasos sagrados é um livro de histórias. Não de histórias comuns, mas daqueles de tipo especial. De relato em relato, feitos de maneira tão à vontade que remetem até a uma conversa entre amigos, ela abre aos leitores um infinito de possibilidades de reflexões ao apresentar a riqueza da mitologia indígena brasileira; As histórias estão divididas em quatro grandes capítulos compostos de diversas narrativas curtas. Cada parte do livro começa com um mito indígena, para logo em seguida ser esmiuçado em forma de comentários, análises e – ela mesma inicia o processo de – reflexões. Mesmo novatos no tema não demoram a se tornarem integrados aos novos e velhos saberes dessa interessante cultura
ESPÍRITO SANTO, Maria Inez