Pesquisadores indígenas se encontram na porta da casa de Komizi para seguir até a casa de Kubil onde ele confeccionará as flautas totore.
Coletivo KulinaMuseu do Índio
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Pesquisadores indígenas, Raimundo Kulina e Felipe Agostini vêem o primeiro corte do filme A Flauta Boborara
Coletivo KulinaPesquisadores indígena, Joaquim Kulina, Benjamim Kulina e João Onima Kulina registram em vídeo, áudio e fotografia, Kubil confeccionando e tocando os totore.
Coletivo KulinaMoça assenta-se em powi na varanda para pintar o rosto com urucum e jenipapo para uma festa na aldeia.
Coletivo KulinaZupira, da aldeia Santa Júlia, está em fase final da confecção de uma powi. Ela utiliza dois paus que servem de tear. As tramas da powi não são nada fechadas. Assim como na confecção de outros tecidos, o algodão é fiado pelas mulheres e pode ser colorido através de diversas técnicas: aguano, amaidada, argilas, etc. É comum também as mulheres utilizarem fios coloridos de velhas redes para tecer as powi. Na primeira etapa da confecção, as mulheres utilizam mãos e pés para tecer o algodão. Com eses dois paus fincados no chão elas esticam os fios e passam as tramas entre eles.
Coletivo KulinaSikima, o senhor mais idoso da aldeia Buaçu, passa boa parte dos dias deitados em uma powi bem velha na varanda de sua casa. É muito comum encontrarmos nas varandas das casas, powi velhas enroladas nos caibros para o dono da casa ou um visitante aproveitá-las para um descanso breve. Elas também, neste caso powi mais novas, são utiizadas para dormir à noite. Os fios grossos de algodão fiados pelas mulheres kulina deixam a powi muito macia e confortável.
Coletivo KulinaRaimundo, de Buaçu, carrega pendurado na testa o tsahe cheio de produtos do roçado (banana e macaxeira). A sua frente vem sua esposa, Terezinha, com o terçado e pedaços de cana colhidas.
Coletivo KulinaOs indígenas explicaram que o keruri é um cesto utilizado como uma espécie de bolsa ou refratários para guardar pequenas coisas. O keruri é feito de uma espécie de capim amazônico com uma técnica que dá uma flexibilidade tornando possível confeccioná-lo em diversos formatos. O formato mais comum é bastante semelhante ao hohori (um vaso médio e pequeno de cerâmica). Ele é confeccionado unicamente pelas mulheres e a técnica de confecção é muito delicada, entrelaçando os feixes de capim, construindo os formatos desejados. É também bastante frágil, podendo se deformar facilmente. É utilizado como toucador, para guardar pequenos objetos pessoais ou como bolsa para carregar estes mesmos objetos. Em geral é pintado através de diferentes técnicas de pinturas e com desenhos que dão maior definição a seu formato. O exemplar acima é pintado através de uma técnica muito comum entre os Kulina, a base de uma tinta conhecida como ‘amaidada’ em língua kulina, tirada de um arbusto encontrado na mata bem perto das aldeias e que dá uma coloração roxa ou violeta (exatamente igual ao violeta gensiana).
George MagaraiaOs indígenas explicam que o keruri bedeni é utilizado para guardar ‘bombom’, que é o modo como os amazônicos em geral chamam às balas de chupar. O keruri é feito com uma espécie de capim amazônico chamado em língua kulina também de ‘keruri’. Ele é confeccionado pelas mulheres e apresenta muita delicadeza e em geral é adornado com padrões diversos.
George MagaraiaRaimundo Kulina e Arnaldo Filho Kulina observando e escolhendo arcos e flechas de outros povos indígenas na reserva técnica do Museu do Índio. Raimodo Arnaldo. Boba ssissi kide tokerelaralí
George MagaraiaTsiki/cerâmicas: Raimundo Kulina e os pesquisadores indígenas tomam conhecimento da coleção de cerâmicas kulina recentemente adquiridas pelo Museu do Índio em suas aldeias. Eles explicam que são as mulheres as especialistas em cerâmica. Atualmente, as mulheres kulina raramente produzem peças de cerâmica, tendo substituído os utensílios aneriormente fabricado por elas por utensílios industrializados comprados na cidade ou dos barcos mercadores. Eles explicam que antigamente, faziam vasos de cerâmica grandes chamados hohori (imeni) serviam para guardar água ou outros líquidos. Vasos com outro formato, chamados de zipa, eram utilzados no passado como panelas para cozinhar os alimentos, em especial a banana, a macaxeira e as carnes. Os Kulina observaram que no acervo recentemente adquirido pelo Museu do Índio só constam hohori médios e pequenos e um zipa, prato, pequeno. (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo roroli wanaliniza. Kidetorara.raimodo sapel sowiko bananí).
George MagaraiaRaimundo Kulina colocando o cocar em sua cabeça. Outros cocares (tezeme) nas estantes da reserva técnica do Museu do Índio. As penas do cocar são de araras. (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo tezeme tatikaí ttalínaralí. Tezeme wanalí rali.
George MagaraiaRaimundo experimenta uma flauta do tipo pan. Os Kulina comentam que eles sabem fabricar tradicionalmente uma flauta deste tipo. Trata-se de uma flauta que vem acoplada a um instrumento musical chamado Teteko, muito utilizado nas festas de Koiza ou outros tipos de Ahie´e. O Teteko é um casco de jabuti que serve como um tipo de reco-reco, mas que o tocador acompanha assoprando uma flauta tipo pan com dois, três ou quatro tubos.
George MagaraiaAdas: Raimundo mostra como os adas, adornos de braço, são vestidos. As peças de algodão são confeccionadas pelas mulheres e este adereço é utilizado sobretudo pelos homens em momentos festivos. Esta peça é colocada no antebraço e depois os fios de algodão que escapam da braçadeira são enrolados sobre o peito e as costas. Esta peça foi confeccionada por Kuma´a, da aldeia Ipiranga Velha, na Terra Indígena Alto Purus, AC.
George MagaraiaAs bolsas, chamadas pelos Kulina Mochira, são produzidas com uma espécie de tear manual. Elas são desenhadas com diversos motivos. Elas podem ser tecidas com fios de algodão colorido comprado na cidade ou com fios de algodão colorido desfiado de peças velhas compradas na cidade, como velhas redes. Mas ela pode também ser tecida com algodão plantado, colhido e fiado pelas mulheres kulina. Neste caso, os fios podem ser coloridos através de diversas técnicas. Um exemplo é o uso da casca de uma árvore, chamada pelos kulina awano, aguano em português. Mistura-se a casca da árvore na água, que fica com uma coloração marrom. Emerge-se o fio do algodão na água e deixa por um tempo, fervendo. Depois ele fica com a cor marrom e pode ser trançado na peça confeccionada através do tear. Outra técnica utiilzada é a pintura do fio com uma folha chamada pelos Kulina ‘amaidada’, com coloração violeta (não foi possível descobrir o nome da planta em português). Pinturas a base de argila também são utilizadas, bem como outras técnicas. Os tecidos de algodão são feitos sempre pelas mulheres e as bolsas são utilizadas para carregar objetos, documentos, papéis, dentre outras coisas (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo sapel sowiko. Banani Karina rali).
George MagaraiaRaimundo Kulina experimenta uma das bandoleiras ashaninka. Elas chegam quase ao sua canela.
Coletivo KulinaRaimundo Kulina mostra para a equipe de museologia como as mulheres e homens carregam o cesto paneiriforme tsahe ou topi (descrição feita pelos pesquisadores indígenas: Raimundo panelo rolei rizaralí).
George MagaraiaZipa bedeni: Raimundo explica que o zipa bedeni, uma espécie de pequeno prato de cerâmica, seria utilizado para o consumo de líquidos, em especial as bebidas de banana e macaxeira servidas nos grandes vasos de cerâmica. Servia também para beber água dos vasos. Como toda cerâmica, é produzido pelas mulheres.
George MagaraiaRaimundo Kulina tenta identificar, a pedido da equipe de museologia, os padrões das peças kulina de miçanga no acervo do Museu do Índio (foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo adlea vabiana. Sowiko bananí wanalíraralo mezaza).
George MagaraiaRaimundo sopra o hohori, o fazendo vibrar, emitindo o som da buzina (Descrição da foto feita pelos pesquisadores indígenas: Raimodo sapel sowiko bananí karíralí roroliza. rolíroli narali raimodo).
George MagaraiaRaimundo Kulina pega e observa cerâmica que parece uma bacia ou cesto (hepiri). Arnaldo, atrás observa.
George MagaraiaRaimundo, com ajuda de Arnaldo, tenta descobrir quais são os padrões de grafismo reproduzidos nas peças de miçanga. A referência de grafismos para os Kulina são sempre a pele dos animais. Sobretudo a jibóia. Dentre as peças que aparecem nesta foto, eles identificaram a padrões da jibóia, de outras cobras, da água e do mato, bem como da arraia e outros animais(foto selecionada e descrita pelos pesquisadores kulina: Raimodo adlea Zezé. Sowiko bananí wanalí ralo. Ranoní karílí zaní).
George MagaraiaZohe, da aldeia Buaçu, exibe um colar de miçangas em dia comum. Os Kulina, homens e mulheres, fazem questão de usar seus adereços mais suntuosos em ocasiões de grandes e/ou importantes reuniões, seja nas aldeias, seja na cidade. Mas eles também usam muitos colares e gargantilhas em dias normais, especialmente as mulheres e as crianças.
Coletivo KulinaRede extendida no tear manual construído só para tecer esta rede e a mulher escondida atrás dela trabalhando.
Coletivo KulinaImagens da qualificação das cerâmicas matis, na reserva de cerâmicas do Museu do Índio/RJ, na primeira parte da visita ao acervo. Reconhecimento da única máscara de mariwin presente na instituição pelos participantes, artefato que está incompleto.
Michelle LudvichakImagem das bonequinhas karajá, que chamaram a atenção dos jovens matis durante a visita ao arcevo museológico.
Michelle LudvichakQualificação do tenke, carcás, peça essencial da cultura diária e simbólica dos Matis. Junto a ele está a panelinha usada para guardar o veneno curare, utilizado nos dardos da zarabatana. Binin Bëchu explica a Celso Maldos para que é utilizado o maxilar de macaco preso na estrutura de bambu do tenke. Esse serve para alocar o barro utilizado para a sustentação e equilíbrio dos dardos quando assoprados. A técnica de utilização de bolinhas de barro nos dardos da zarabatana é uma técnica de caça própria dos Matis.
Michelle LudvichakImagens de arcos do acervo da instituição. É possível ouvir no áudio do arquivo Maria José Sardella pedindo para os jovens amarrarem corretamente as partes constituintes do tenke, carcás matis.
Michelle LudvichakImagens da qualificação das cerâmicas matis, na reserva de cerâmicas do Museu do Índio/RJ, na primeira parte da visita ao acervo. Reconhecimento da única máscara de mariwin presente na instituição pelos participantes, artefato que está incompleto.
Michelle LudvichakImagem de uma máscara e outra peça de outras etnias, artefatos que constituem o acervo do Museu do Índio e que chamaram a atenção dos jovens matis, etnia que também produz máscaras próprias.
Michelle LudvichakOs Matis conhecem o setor de armas, observando as flechas do acervo. Essas peças aguçam o interesse dos jovens e Dani acha curiosa a forma como as flechas são guardadas em um Museu nawa, não-indígena.
Michelle LudvichakQualificação do tenke, carcás, peça essencial da cultura diária e simbólica dos Matis. Junto a ele está a panelinha usada para guardar o veneno curare, utilizado nos dardos da zarabatana. Foi identificado na peça um pau ignígeno, utilizado para ascender fogueiras. Binin Bëchu explica como é usado o pau ignígeno e como se passa o veneno nos dardos da zarabatana, utilizando uma faca própria para isso. O jovem, ao final, amarra corretamente as partes constituintes do artefato.
Michelle LudvichakReunião com os pesquisadores indígenas Benjamim kulina, Dário Kulina, Joaquim Kulina e João Kulina e os mestres artesãos Komizi Kulina (boborara), Kubil Kulina (totore), Zakaria Kulina (hihiti) e João Ikobo Kulina (teteko).
Coletivo KulinaReunião com a comunidade na aldeia Santa Júlia para conversar sobre o projeto (anuência, desenvolvimento possíveis, prazos, etc) e para organizar as oficinas de criação de instrumentos (escolha dos mestres artesãos, cozinheira, cronograma, etc)
Coletivo KulinaO restante da peça de breu descança perto do fogo enquanto João Ikobo coloca o breu na abertura do casco de jabuti.
Coletivo KulinaSikima, marido de Wemo, e o senhor mais velho da aldeia Buaçu, vê a fotografia de seu falecido sogro e conversa com Sakire sobre os tempos antigos, em que os Madihá moravam no rio Cochichá. Ao fundo, Wemo e sua nora Kaina.
Coletivo KulinaSenhora mais velha da aldeia Santa Júlia agachada, utilizando o kakade (abano) para acender o fogo de cozinha.
Coletivo KulinaÚltimos acabamentos no molde da buzina de Wemo.
Coletivo KulinaWemo acrescentando o rolinho de argila em sua peça.
Coletivo KulinaWemo acrescentando mais um rolinho de argila à sua peça.
Coletivo KulinaWemo fazend rolinho de argila para acrescentar em sua buzina.
Coletivo KulinaWemo moldando a sua buzina de cerâmica.
Coletivo KulinaWemo ajeitando a peça que está fazendo ao fundo e Thiaini ajeitando o prato que está fazendo em primeiro plano.
Coletivo KulinaJovem da aldeia Buaçu observa fotografia que Wemo lhe mostra de seu falecido pai e da buzina de barro.
Coletivo KulinaWemo, a senhora mais velha da aldeia Buaçu segura a foto em que reconhece seu pai para mostrar para a família (foto de Schultz 1951).
Coletivo KulinaWemo, a senhora mais velha da aldeia Buaçu reconhece na fotografia que segura seu falecido pai. Na foto, de autoria de Harald Schultz de 1951, no rio Cochichá, o pai toca uma buzina de barro.
Coletivo KulinaWemo, da aldeia Buaçu, confecciona bolsas de algodão com tear manual que ela faz em sua cozinha.
Coletivo KulinaO velho Sikima, da aldeia Buaçu, tira uma soneca ao sol, deitado em seu shashakora no terreiro de sua casa.
Coletivo KulinaO velho Sikima, da aldeia Buaçu, tira um cochilo ao sol, deitado no shashakora no terreiro em frente a sua casa.
Coletivo KulinaKaino, da aldeia Ipiranga Velha, vestindo um tezeme (cocar de penas de arara) durante reunião com todas as lideranças kulina do rio Purus, na aldeia Santa Júlia. Ele também está adornado com uma bandoleira tecida de algodão com desenhos e contas pretas, cinzas e brancas.
Coletivo KulinaRaimundo Kulina ajuda a qualificar os cestos paneiriformes kulina. Estes cestos são geralmente confeccionados por homens ou mulheres. Podem ser feitos a partir de dois tipos de cipós: o ambé, chamado em kulina de ‘Topi’, e o timbó, chamado em kulina de ‘Tsahe’. Segundo os indígenas, estes cestos são utilizados por homens e mulheres para o transporte de macaxeira, banana, milho, cará, abacaxi e outros produtos de roçado, bem como para transportar a dormida e roupas em viagens. Antigamente, quando se trabalhava no seringal, usava-se muito o tsahe ou topi para carregar roupas, dormida e as coisas pessoais da pessoa. Além disso, em viagens de canoa, embarca-se a macaxeira e a banana que servirão de rancho para a viagem nos cestos tsahe ou topi. Raimundo Kulina mostrou que em geral os Tsahe ou Topi são carregados através cordas feitas de casca de cipó, penduradas na cabeça, utilizando a força do pescoço e da cabeça para carregar coisas pesadas.
George MagaraiaDetalhe do tipo de pupunha utilizado para confecção do arco do hihiti. Zakaria e Komizi souberam dar apenas o nome na língua kulina: kathapare.
Coletivo KulinaRaimundo toma conhecimento da única peça de cerâmica kulina já inserida na Reserva Técnica. Trata-se de um hohori oriundo do alto purus, trazido para o acervo na década de 1970 pelo pesquisador Schwade.
George Magaraia