Publicado em Paris em 1614, a História do capuchinho Abbeville tem duas traduções em português, a primeira de César Marques (1874) e a segunda, mais divulgada, de Sérgio Milliet (1945), cada qual, segundo o prefácio de Sebastião Moreira Duarte, "bem longe de ser perfeita". O relato é sumamente valioso não apenas pela descrição minuciosa dos Tupinambá do Maranhão, como também pelas narrativas indígenas embutidas no texto. Cabe ainda refletir sobre este texto enquanto relato histórico e não propriamente etnográfico
ABEVILLE, Claude d'Franceses no Maranhão
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Aqui se conta a história da conquista do Maranhão pelos franceses com base em relatos dos frades capuchinhos Claude d'Abbeville e Yves d'Evreux, além de pesquisas do autor realizadas em Saint-Malo, de onde partiam as expedições corsárias, Paris, Genebra, Lisboa, Sevilha e Rio de Janeiro, nas bibliotecas e arquivos públicos. Logo, o livro não é apenas a compilação de outros volumes, mas uma visão particular e especial. Da mesma forma a apresentação não segue os padrões acadêmicos e a leitura se torna mais agradável quando o autor dá um tom romanesco à História, sem fugir em nenhum momento à verdade da cronologia e da saga gaulesa em terras maranhenses. Como afirma o senador José Sarney: "Os papagaios amarelos nos relembram que aqui se pensou criar uma nova França, que se pensou que os índios se transformariam em franceses. Com que grande orgulho o padre d'Abbeville julgava que o altíssimo e poderosíssimo monarca Luís XIII teria essa bela glória da tiara e a tríplice coroa de França, Navarra e Maranhão!"
PIANZOLA, Maurice