Narrativas indígenas
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Pode a antropologia explicar satisfatoriamente o desejo de uma população indígena por dinheiro e mercadorias? E o que dizer quando o consumo indígena não responde pelas necessidades de produção material ou de subsistência e aparece-nos à primeira vista como uma espécie de ‘consumismo’? Quais os efeitos da circulação de bens industrializados na economia política nativa?; Eis algumas questões que César Gordon aborda nesta obra. Como base em uma detalhada etnografia do caráter inflacionário do consumo entre índios Xikrin, ele nos mostra que o desejo indígena pelos objetos que lhe são estrangeiros não é espúrio, inautêntico e exótico. Ao contrário, é a expressão de um propósito e de uma história propriamente indígenas, com profundas conexões com a cosmologia, o sistema ritual e o parentesco; Sendo parte de um projeto que estuda as transformações ocorridas entre os povos indígenas contemporâneos, este é um trabalho antropológico valioso e inovador, em que o autor reflete sobre um tema candente para muitas populações indígenas no Brasil: a relação com os não-índios, com o Estado e com a economia capitalista
Gordon, CesarNa língua tupi, Poranduba quer dizer história, notícia ou pergunta. A obra traz histórias que remetem ao sentido da vida, à relação do homem com a natureza, o sobrenatural, as adversidades e os aspectos do imaginário de diversas etnias indígenas: Bororo, Kaiapó, Kaxinauá, Mawé, Tucano, Xavante etc.; O projeto procura valorizar a sabedoria da tradição indígena e promover um diálogo criativo entre o indígena e o não-indígena.; O livreto contém uma breve apresentação sobre cada um dos povos indígenas contemplados, com informações sobre sua língua, população, localização e suas respectivas histórias. Inclui também dicas metodológicas sobre como professores e contadores de histórias poderão tirar o melhor proveito do material, explorando o vasto potencial imagético dos mitos e suas vivas formas de experiência das questões da identidade, da memória, da alteridade, do sentido da vida, da relação do homem com a natureza
Casoy, Rute (org.)As sociedades indígenas não teriam sobrevivido à dominação colonial — seja ela manifestada por meio das guerras e dos descimentos, dos aldeamentos missionários, da apropriação privada de terras de uso comum, do indigenismo tutelar e do sistema de reservas — se fossem estruturas rígidas e homogêneas, fechadas em si mesmas e mantivessem uma profunda aversão à mudança e a processos estatizantes. É a sua heterogeneidade e complexidade, as contradições que a alimentam, as ambiguidades que instituem e a plasticidade que possuem que lhes propicia um dinamismo constante e regenerador. Resistir ao mundo colonial, no caso, não é manter-se exatamente igual ao que era antes, mas continuar a agir como uma relativa unidade e ser capaz de dar sentido às experiências vividas e transmiti-las à geração futura
MURA, Claudia